No dia 25 de junho de 2026, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos proferiu uma decisão que restringe ações judiciais contra a Bayer, relacionadas ao herbicida Roundup, que alegam que a empresa não alertou os usuários sobre os riscos de câncer associados ao produto.

Detalhes da Decisão

Com uma maioria conservadora, o tribunal decidiu, por 7 votos a 2, reverter um veredicto proferido em Missouri que havia concedido US$ 1,25 milhão a John Durnell. O autor da ação alegou que o uso prolongado do Roundup foi responsável por seu diagnóstico de câncer no sangue.

Durnell baseou seu caso na classificação da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), que considera o glifosato, um dos ingredientes ativos do Roundup, como provavelmente carcinogênico para humanos. A IARC é uma entidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Contraponto Regulatório

No entanto, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) não classifica o glifosato como carcinogênico e aprovou a comercialização do Roundup sem um rótulo de advertência. O juiz Brett Kavanaugh, indicado pelo ex-presidente Donald Trump, afirmou que a argumentação de Durnell exigiria que a Monsanto, fabricante original do produto, adicionasse um aviso sobre câncer ao rótulo, o que contraria a legislação federal que requer o uso do rótulo aprovado pela EPA.

Repercussão e Reações

A Bayer, que adquiriu a Monsanto em 2018, comemorou a decisão em um comunicado, afirmando que a medida é benéfica para a ciência, agricultores e indústrias que dependem de clareza regulatória para inovação. Após a decisão, as ações da Bayer registraram uma alta significativa.

No entanto, a decisão gerou reações críticas, tanto de membros do Partido Republicano quanto de representantes do Partido Democrata. A deputada republicana Nancy Mace afirmou que a saúde do povo americano deve prevalecer sobre os lucros das grandes corporações. Já o senador democrata Cory Booker considerou a decisão um golpe devastador na luta para responsabilizar as grandes empresas de pesticidas pelos danos causados por seus produtos tóxicos.