A Johnson & Johnson anunciou uma proposta de acordo avaliada em US$ 5,5 bilhões com o intuito de encerrar aproximadamente 76.000 ações judiciais nos Estados Unidos. Os processos em questão alegam que o talco utilizado em produtos da empresa, como o pó para bebês, está relacionado ao desenvolvimento de câncer de ovário.

O acordo abrange litígios que estão em andamento tanto em tribunais estaduais quanto federais, incluindo ações concentradas em um tribunal federal localizado em Nova Jersey. De acordo com a empresa, a proposta abrange quase todas as ações remanescentes que envolvem o uso de talco e sua suposta conexão com o câncer de ovário. As informações foram divulgadas pela Reuters.

Para que a proposta se concretize, é necessária a adesão de escritórios que representem pelo menos 95% das ações pendentes.

Posição da Johnson & Johnson

A Johnson & Johnson defende que suas pesquisas e evidências clínicas acumuladas ao longo de décadas demonstram que o talco utilizado em seus produtos é seguro, livre de amianto e não causa câncer. A companhia considera as alegações contra ela como infundadas do ponto de vista científico. A empresa também mencionou uma decisão judicial que exigiu que os autores dos processos apresentassem justificativas para a continuidade das ações, alegando a falta de evidências que ligassem o talco aos diagnósticos de câncer.

Erik Haas, vice-presidente global responsável por assuntos jurídicos da empresa, expressou que a Johnson & Johnson acredita ter condições de vencer as ações que ainda estão em andamento. Contudo, ele ressaltou que a proposta de acordo representa uma oportunidade de encerrar as disputas judiciais e redirecionar o foco da empresa para o desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos.

Em 2020, a companhia decidiu interromper as vendas do talco para bebês nos Estados Unidos e no Canadá, e em 2023, a comercialização global do produto foi encerrada, sendo substituído por uma alternativa à base de amido de milho.

Detalhes do pagamento

A Johnson & Johnson planeja realizar pagamentos que podem chegar a US$ 3 bilhões até 2027, com pagamentos adicionais programados para começar em 2028. Chris Seeger, advogado que representa cerca de 2.500 reclamantes e esteve envolvido nas negociações, afirmou que o total do acordo pode ultrapassar US$ 7 bilhões, dependendo da adesão ao acordo.

É importante destacar que a proposta abrange apenas ações já apresentadas e não considera futuros processos judiciais. Seeger explicou que essa exclusão permitiu que um montante maior fosse destinado àqueles que já haviam acionado a Justiça, com a expectativa de concluir os pagamentos em um prazo de até 18 meses.

“Conseguimos um acordo justo, e nossos clientes ficarão satisfeitos com ele”, afirmou o advogado.