eBay e alguns de seus ex-executivos concordaram em pagar US$ 56 milhões a David e Ina Steiner, um casal que enfrentou uma campanha de assédio em retaliação às suas críticas à empresa. O acordo foi anunciado em uma declaração na terça-feira, após a experiência angustiante que os Steiners vivenciaram em 2019.
Os Steiners eram responsáveis pelo site e pela newsletter EcommerceBytes, que frequentemente criticava a eBay. Em resposta a essas críticas, um grupo de ex-executivos da empresa foi acusado de enviar ao casal uma máscara de fantasia coberta de sangue de porco, um livro sobre como lidar com a morte de um cônjuge, entre outras ações ameaçadoras.
Retaliação e ações de assédio
Além das ações diretas, os Steiners também receberam uma coroa fúnebre e mensagens de assédio no Twitter, plataforma atualmente conhecida como X. Em um ato ainda mais invasivo, alguns executivos da eBay visitaram a residência do casal em Massachusetts com a intenção de instalar um dispositivo de rastreamento em seu carro.
Entre 2022 e 2024, sete ex-executivos da eBay se declararam culpados em relação às acusações criminais, conforme informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Um agente do FBI envolvido na investigação descreveu as ações dos ex-executivos como uma "campanha de assédio sem precedentes, implacável e exagerada".
Acordo e consequências
Em meio a esse cenário, a eBay também enfrentou acusações criminais e firmou um acordo de acusação diferida com o DOJ, além de aceitar pagar uma multa de US$ 3 milhões. Embora a maior parte do acordo de US$ 56 milhões seja destinada ao casal, o ex-CEO da eBay, Devin Wenig, se comprometeu a pagar pessoalmente US$ 1 milhão do total.
Wenig deixou a eBay em 2019, ano em que enviou uma mensagem de texto ao principal executivo de comunicações da empresa, referindo-se a Ina Steiner com a frase: "Acabe com ela". Representantes de Wenig afirmaram que essa mensagem se referia a uma estratégia de relações públicas para lidar com supostos erros nos escritos de Ina Steiner.
Wenig expressou sua tristeza pelo que os Steiners enfrentaram, ressaltando que "ninguém deveria ter sido submetido ao que os Steiners suportaram em 2019". Seu pagamento será destinado a uma entidade de caridade ainda não divulgada, que é "dedicada à proteção dos direitos da Primeira Emenda", sendo doado em nome de Ina Steiner.
Christopher Murphy, advogado que representou os Steiners, afirmou que a resolução do caso envia uma mensagem clara de que corporações e seus executivos não podem se envolver em esse tipo de má conduta sem enfrentar consequências significativas. A eBay, por sua vez, declarou que as ações dos ex-funcionários foram "erradas, reprováveis e nunca deveriam ter acontecido", condenando a conduta que levou à ação civil.
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