O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, em uma votação de 7 a 2, que a Bayer, fabricante do herbicida Roundup, não pode ser processada em tribunais estaduais por alegações de falha em advertir sobre possíveis riscos de câncer associados ao seu uso. A decisão, tomada na quinta-feira, deve barrar milhares de processos que alegam que a empresa não alertou os consumidores sobre os perigos do produto.

A Bayer, uma empresa alemã que adquiriu o Roundup ao comprar a Monsanto em 2018, enfrenta uma onda de litígios, incluindo várias indenizações bilionárias. A decisão é vista como uma vitória para a administração do ex-presidente Donald Trump, embora possa gerar dificuldades políticas, já que aliados do movimento “Make America Healthy Again” desejam restringir o uso de pesticidas.

Em um comunicado, a Bayer declarou: "Essa decisão é boa para a ciência, agricultores e indústrias que dependem de clareza regulatória para inovação". A empresa espera que a decisão leve ao arquivamento de processos pendentes, mas planeja seguir com um acordo de classe proposto no valor de US$ 7,25 bilhões para resolver várias reivindicações ainda existentes.

Organizações ambientais e advogados que representam pessoas afetadas pelo Roundup criticaram a decisão. O advogado Christopher Seeger disse: "Esta decisão do Supremo Tribunal fecha injustamente as portas dos tribunais para os americanos afetados por pesticidas". Jay Feldman, diretor executivo do Beyond Pesticides, considerou a decisão um "retrocesso trágico para a saúde pública e ambiental".

O caso que chegou ao Supremo envolveu John Durnell, um morador do Missouri que desenvolveu linfoma não-Hodgkin após mais de 20 anos usando o Roundup em sua comunidade. Um júri havia concedido a ele US$ 1,25 milhão, concordando que a Bayer não o alertou sobre os riscos de câncer.

Embora a Bayer conteste as alegações de câncer, a empresa já destinou US$ 16 bilhões para resolver casos relacionados e, este ano, propôs um acordo de classe para mitigar as reclamações.