Passar o dia inteiro sentado traz consequências significativas para a saúde, conforme alertam especialistas. A falta de movimento não apenas reduz o gasto de energia, mas também compromete a capacidade do corpo de regular açúcar, gordura e circulação sanguínea.

Enquanto se trabalha em frente à tela, mudanças metabólicas prejudiciais ocorrem silenciosamente. Os músculos das pernas, que são cruciais para o controle da glicose e das gorduras no sangue, ficam menos ativos. Com isso, a eficiência da lipoproteína lipase — enzima que auxilia na quebra de gorduras — diminui, resultando em um aumento do açúcar no sangue e na redução do gasto energético.

“O grande vilão não é o ato de sentar, e sim a duração ininterrupta”, afirma o ortopedista e cirurgião de coluna Guilherme Foizer. Os problemas se estendem ao sistema cardiovascular, com a circulação sendo afetada pela falta de contração muscular nas pernas, o que pode levar a inchaços e aumentar o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo.

Horas sentadas e os riscos à saúde

Embora não haja um limite exato para o tempo que se deve passar sentado, estudos indicam que o risco de complicações de saúde aumenta significativamente após seis horas diárias. Um estudo recente publicado no JAMA Network Open revelou que trabalhadores que permanecem sentados por longos períodos têm um risco 16% maior de morte por qualquer causa e 34% maior de morte por doenças cardiovasculares.

Além do tempo total, a distribuição desse tempo é relevante. Permanecer sentado por três horas sem pausas é mais prejudicial do que dividir esse mesmo tempo em intervalos com pequenas movimentações. O corpo responde melhor quando estimulado com frequência, mesmo que brevemente.

Impactos na musculatura e a importância do movimento

As consequências do sedentarismo não se limitam ao sistema circulatório. A permanência em uma única posição pode levar ao encurtamento de determinados músculos e à subutilização de outros, como os glúteos e a musculatura do abdômen e das costas. O ortopedista Alexandre Penna menciona que isso pode resultar na “amnésia glútea”, um fenômeno em que os músculos perdem força gradualmente por não serem ativados.

Embora a prática regular de exercícios físicos traga benefícios, ela não compensa completamente os riscos associados a longos períodos de inatividade. É possível ser considerado um “sedentário ativo”, ou seja, alguém que se exercita, mas ainda passa muitas horas sentado. Especialistas recomendam que, para mitigar esses efeitos, é fundamental interromper longos períodos de inatividade.

Levantar a cada 30 minutos e realizar pequenas caminhadas são algumas das sugestões para melhorar a circulação e o metabolismo. Além disso, treinos focados em força, especialmente para pernas e glúteos, podem ajudar a equilibrar a ativação muscular durante o dia.

Por fim, é importante que as pessoas que trabalham sentadas compreendam que a saúde não deve ser negligenciada após o expediente. O cuidado deve ser contínuo, buscando sempre alternar posições e movimentar-se regularmente.