A Seleção Brasileira avançou para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, aumentando a expectativa entre os torcedores. Com jogos marcados para dias úteis, muitos trabalhadores se questionam sobre a possibilidade de abandonar o serviço para acompanhar as partidas.

Direitos e Deveres dos Trabalhadores

De acordo com a legislação trabalhista, os jogos da Copa do Mundo não são considerados feriados, o que significa que os trabalhadores devem cumprir suas jornadas normais, mesmo nos dias de jogos. Isso é especialmente relevante para aqueles que atuam em setores essenciais, como hospitais, transporte público e segurança, onde a presença no trabalho é crucial.

Conforme a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), qualquer liberação para assistir aos jogos depende da autorização do empregador, bem como de acordos prévios ou convenções coletivas. Se a empresa optar por liberar os funcionários, ela pode implementar formas de compensação da jornada, desde que respeite as normas trabalhistas.

Consequências do Abandono de Posto

A advogada trabalhista Malu Vieira Xavier, sócia do escritório A.C. Burlamaqui Advocacia, alerta que abandonar o trabalho sem autorização pode acarretar penalidades disciplinares, como advertência ou suspensão. Em casos mais graves, a demissão por justa causa pode ser aplicada, embora isso dependa da análise das circunstâncias específicas de cada situação.

“Uma conduta isolada dificilmente justifica a justa causa. A gravidade da infração, a reincidência e os prejuízos à empresa são fatores que devem ser considerados”, afirma Malu. A situação é ainda mais crítica em funções que exigem continuidade, onde a ausência pode afetar diretamente o atendimento à população.

Os trabalhadores têm a responsabilidade de cumprir a jornada para a qual foram escalados. Entretanto, as empresas têm a possibilidade de flexibilizar horários ou organizar revezamentos para permitir que parte da equipe assista aos jogos, caso isso seja viável.

Assim, é recomendado que qualquer alteração na jornada de trabalho seja discutida previamente com o empregador. Para os trabalhadores, a melhor prática é evitar ausências não autorizadas, garantindo assim a continuidade do serviço e evitando possíveis penalidades.