O goleiro Vozinha, de Cabo Verde, se tornou uma sensação global após sua atuação na Copa do Mundo 2026, acumulando mais de 17 milhões de seguidores no Instagram em apenas 90 minutos. O empate de sua seleção contra a Espanha, uma das favoritas do torneio, foi comemorado como uma vitória, impulsionando sua popularidade nas redes sociais a níveis superiores ao do famoso jogador de futebol americano Tom Brady.
Essa repentina ascensão nas redes é uma oportunidade para jogadores como Vozinha capitalizarem em cima de sua nova fama. No entanto, especialistas alertam que esse sucesso pode ser efêmero. Mike Serazio, professor de comunicação, observa que a viralidade pode crescer rapidamente, mas também cair com a mesma rapidez.
O impacto das redes sociais na carreira dos atletas
A professora Brooke Duffy, da Universidade Cornell, destaca que influenciadores com grandes audiências podem receber pagamentos substanciais por postagens patrocinadas. A quantidade de seguidores se tornou um fator crucial na geração de receita, com mais seguidores potencialmente resultando em maior renda.
Outro exemplo do fenômeno de fama instantânea é o zagueiro Tim Payne, da Nova Zelândia. Ele ganhou notoriedade antes do torneio, quando um influenciador argentino o ajudou a aumentar seu número de seguidores de cerca de 5 mil para quase 6 milhões, superando a população total de seu país. Ao contrário de Vozinha, a fama de Payne não foi baseada em seu desempenho esportivo, mas sim em uma estratégia de marketing nas redes sociais.
Desafios para a manutenção da fama após o torneio
Serazio aponta que o desempenho em campo pode ser menos relevante do que momentos virais que capturam a atenção do público. A dúvida que persiste é se esses atletas conseguirão transformar sua popularidade em uma carreira sustentável após o fim da Copa do Mundo. Para ele, a janela de atenção é limitada e muitos podem ser esquecidos rapidamente.
Enquanto jogadores como Messi e Cristiano Ronaldo conseguem contratos mesmo após a aposentadoria, os novos astros virais podem enfrentar dificuldades em manter a relevância. Um exemplo positivo é a jogadora americana de rugby Ilona Maher, que, após ganhar notoriedade durante os Jogos Olímpicos de 2024, conseguiu diversificar sua carreira, tornando-se embaixadora de marcas e apresentadora de um podcast.
Duffy ressalta que, embora existam oportunidades de longo prazo, é difícil estimar a renda que esses atletas poderão gerar. O mercado digital é volátil e as normas para postagens patrocinadas ainda estão em desenvolvimento.
O futuro dos jogadores que se destacam nas redes sociais durante a Copa do Mundo dependerá de sua capacidade de manter o engajamento com seus novos seguidores e transformar essa visibilidade em oportunidades financeiras sustentáveis.
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