A captura e armazenamento de carbono (CCS) está se tornando um tema central nas discussões sobre política climática na Alemanha. Um estudo publicado na revista Environmental Politics analisa as razões por trás desse ressurgimento e aponta que as restrições originalmente estabelecidas para a tecnologia foram progressivamente afrouxadas, aumentando o risco de prolongar a vida útil da infraestrutura de combustíveis fósseis e possivelmente ignorar outras medidas de proteção climática.
Segundo Tobias Haas, autor principal do estudo e pesquisador no Instituto de Pesquisa para Sustentabilidade do GFZ (RIFS), "na Alemanha, a CCS foi considerada por muito tempo uma questão política sem futuro. Isso torna intrigante como a tecnologia voltou ao centro do debate sobre política climática em apenas alguns anos". Na década de 2000, uma primeira tentativa de introduzir a CCS falhou devido à resistência de iniciativas locais, ONGs ambientais e à baixa aceitação pública. Apesar disso, a tecnologia continuou a ser vista como um elemento crucial em cenários climáticos para alcançar a neutralidade.
Uma nova narrativa e aceitação ampliada
O retorno político da CCS foi impulsionado pela coalizão governamental conhecida como "coalizão semáforo" (2021-2024), que revisou a Lei de Armazenamento de Dióxido de Carbono, desenvolveu uma estratégia de gerenciamento de carbono e trabalhou em uma estratégia de longo prazo para emissões residuais inevitáveis. A introdução do termo abrangente "gerenciamento de carbono" abriu espaço para várias abordagens tecnológicas. Além da CCS, isso inclui o uso de dióxido de carbono capturado (Captura e Utilização de Carbono, CCU) e processos para remoção de CO₂ da atmosfera (Remoção de Dióxido de Carbono, CDR).
Haas explica que "o conceito de gerenciamento de carbono é politicamente atraente porque coloca a CCS em um novo contexto". A tecnologia não é mais discutida isoladamente como um processo controverso, mas como parte de uma abordagem de gerenciamento mais abrangente. Essa mudança de perspectiva foi fundamental para o renascimento político da CCS.
A mudança no foco do debate
Além disso, o debate mudou: a discussão não gira mais em torno de se a CCS deve ser utilizada, mas sim de como e em que medida seu uso deve ser permitido. Nesse processo, as condições originalmente estabelecidas para a utilização da tecnologia foram gradualmente flexibilizadas. No início do debate, havia um consenso de que a CCS deveria ser utilizada apenas onde as emissões de CO₂ não poderiam ser evitadas por razões técnicas e que a redução de emissões deveria, em princípio, ter prioridade.
Em 2025, o governo federal atual aprovou uma emenda à Lei de Armazenamento de Dióxido de Carbono, que, embora continue a enfatizar o armazenamento no fundo do mar, relaxou ainda mais as restrições ao seu uso. A lei exclui apenas as usinas de carvão da utilização da CCS, que já estão programadas para desativação até 2038. Ao mesmo tempo, o governo federal planeja uma capacidade adicional de usinas de 12 gigawatts, que deve se tornar neutra em carbono até 2045 por meio de abordagens "tecnologicamente neutras". Para os autores, isso pode facilitar o uso da CCS em novas usinas a gás e, assim, prolongar a dependência de combustíveis fósseis.
O estudo identifica três razões pelas quais os limites inicialmente previstos para o uso da CCS não puderam ser aplicados: as organizações ambientais mantiveram posições divergentes, o que enfraqueceu seu poder político coletivo; o debate público perdeu de vista que muitos apoiadores aceitariam a CCS apenas sob condições rigorosas; e as condições foram ainda mais diluídas durante um prolongado processo decisório político. Os autores recomendam, portanto, que o uso da CCS seja condicionado a condições claramente definidas, com uma definição vinculativa de quais emissões são realmente "difíceis de evitar". "Caso contrário, há o risco de que cada vez mais emissões sejam classificadas como inevitáveis e o uso da CCS seja gradualmente ampliado", afirma Haas. Assim, o papel da CCS não é apenas uma questão técnica ou econômica, mas uma decisão política sobre o caminho que a Alemanha deseja seguir em direção à neutralidade climática.
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