Arqueólogos na Catalunha enfrentam desafios significativos na gestão de dados gerados durante escavações, conforme revela um estudo recente. A pesquisa, liderada por Sabina Batlle-Baró da Universidade de Barcelona, foi publicada na revista Journal of Documentation e analisa as práticas de gestão de dados entre arqueólogos catalães.

O objetivo do estudo não é avaliar o valor científico das escavações, mas entender como as equipes lidam com as informações durante o processo de pesquisa. Para isso, Batlle-Baró conduziu entrevistas semiestruturadas com 14 pesquisadores principais de projetos realizados em universidades e centros de pesquisa da Catalunha.

Desafios da digitalização na arqueologia

As entrevistas revelaram que a transformação digital aumentou de forma significativa o volume e a complexidade dos dados gerados durante as escavações. Tecnologias como fotogrametria, scanners 3D e sistemas de informações geográficas coexistem com registros manuais que precisam ser digitalizados posteriormente. Diante desse cenário, muitas equipes desenvolveram sistemas próprios para organizar, armazenar e fazer backup dos dados, adaptados às necessidades de cada projeto.

Embora essas soluções funcionem de maneira satisfatória no dia a dia, frequentemente são baseadas em protocolos informais, sem padrões compartilhados ou planos sistemáticos de gestão de dados. Essa falta de uniformidade pode dificultar a reutilização futura das informações, especialmente quando os pesquisadores originais não estão mais envolvidos ou quando é necessário integrar dados de diferentes projetos.

Importância dos relatórios de escavação

O estudo também destaca o papel crucial dos relatórios de escavação, que são obrigatórios após cada projeto. Esses documentos, além de comunicarem as descobertas científicas, são vistos por muitos pesquisadores como um meio de preservar os dados originais, já que são arquivados junto às autoridades. Segundo Batlle-Baró, essa função torna os relatórios fundamentais para a construção e preservação do conhecimento arqueológico, mesmo que seu conteúdo e nível de detalhe variem amplamente entre os projetos.

A pesquisa conclui que, apesar de os arqueólogos catalães gerenciarem dados com base em critérios práticos e experiência acumulada, essa abordagem é insuficiente frente às exigências contemporâneas de ciência aberta e preservação digital. O estudo defende a necessidade de fortalecer a formação em gestão de dados, definir protocolos comuns e promover políticas institucionais que facilitem a preservação, interoperabilidade e reutilização futura das informações científicas geradas nas escavações arqueológicas.