O produtor de uvas Rodrigo Pamponet, do Vale do São Francisco, já começou a desconsiderar o mercado dos Estados Unidos, priorizando vendas para a Europa e Argentina. Essa mudança é uma resposta às tarifas de 25% que os EUA impuseram a produtos brasileiros, medida que entra em vigor na próxima terça-feira (22).
Em 2024, a fazenda de Pamponet exportou cerca de 50 paletes para os EUA, mas esse número caiu drasticamente para apenas seis paletes em 2025, e a expectativa é que as exportações para o país praticamente cessem, a menos que os importadores americanos absorvam os custos adicionais.
Impacto das Tarifas no Agronegócio
As novas tarifas afetam diretamente setores do agronegócio, incluindo uvas, ovos, madeira, arroz e açúcar. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a medida pode impactar US$ 4,6 bilhões em exportações. Aproximadamente 36,5% das exportações do agronegócio para os EUA estarão sujeitas à nova tarifa, enquanto 63,5% foram preservadas com a ampliação da lista de exceções.
Além da tarifa de 25%, há a expectativa de uma cobrança adicional de 12,5%, o que poderia elevar a sobretaxa total para 37,5%. O redirecionamento das exportações é uma estratégia adotada para mitigar os efeitos negativos dessa situação, e em 2022, as exportações brasileiras totalizaram um recorde de US$ 348,7 bilhões, em parte devido à compensação das vendas para a China e outros mercados.
Redirecionamento das Exportações e Novos Mercados
A cadeia de uvas é uma das mais prejudicadas pela nova tarifa. A Europa já era o principal destino das uvas brasileiras antes das novas tarifas, e Pamponet informa que atualmente 70% de sua produção é destinada à União Europeia e 28% à Argentina, que se destacou devido à proximidade geográfica e menores custos de transporte.
Os dados mostram que as exportações de uvas para a Argentina aumentaram de 3,6 mil toneladas em 2024 para mais de 8 mil toneladas em 2025, enquanto as importações dos EUA caíram de 13,8 mil toneladas para 4,1 mil toneladas no mesmo período.
O setor da uva é vital para a economia do Vale do São Francisco, que concentra 75% da produção nacional. A cultura gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos na região, sendo que aproximadamente metade da mão de obra é composta por mulheres. Apesar das incertezas, há expectativa de que uma solução negociada seja alcançada antes de setembro, quando começa a principal janela de embarque de frutas para os EUA.
Além da uva, outros setores como arroz e carne suína também enfrentam desafios. A Associação Brasileira de Indústria do Arroz (Abiarroz) destacou a importância do arroz brasileiro no abastecimento dos EUA, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mencionou que o impacto das tarifas varia entre os produtos. A tilápia, por outro lado, foi mantida fora da lista de produtos com sobretaxa, sinalizando espaço para diálogo entre os países.
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