O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (16) uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com a medida programada para entrar em vigor em 22 de julho. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justificou a decisão com uma série de argumentos que vão além do âmbito econômico, incluindo questões jurídicas e ambientais.
De acordo com o USTR, a tarifa é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos".
Argumentos do USTR
Entre os pontos citados pelo USTR para a imposição da tarifa estão:
- PIX;
- Corrupção no Brasil;
- Ações do STF contra as big techs;
- Tratamento injusto na política de tarifas brasileira;
- Proteção inadequada à propriedade intelectual;
- Tarifas sobre o etanol;
- Desmatamento.
O USTR destacou que o sistema de pagamentos PIX favorece provedores nacionais em detrimento de serviços eletrônicos dos EUA. Em relação à corrupção, o órgão mencionou que o Brasil se afastou das normas globais de combate ao suborno, citando um Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, no qual o país obteve apenas 35 pontos de 100 possíveis.
Sobre as ações do STF, o USTR incluiu restrições a plataformas digitais, como o bloqueio do Rumble e a suspensão temporária do X, como parte de um contexto de comércio digital prejudicial. As medidas foram justificadas pela Justiça brasileira devido ao descumprimento de leis locais.
Reações e implicações
O USTR também criticou a política tarifária brasileira, alegando tratamento preferencial a países como México e Índia, em detrimento dos Estados Unidos. Além disso, mencionou a proteção inadequada à propriedade intelectual no Brasil, sem fornecer detalhes específicos.
Referente ao etanol, o USTR observou que o Brasil alterou seu tratamento tarifário, não correspondendo às tarifas dos EUA sobre o etanol brasileiro. Quanto ao desmatamento, o órgão apresentou um infográfico que ilustra a taxa de desmatamento no Brasil entre 2001 e 2018, sem indicar a fonte dos dados, e argumentou que essas práticas dificultam a competitividade da indústria madeireira dos EUA.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou repúdio à nova tarifa e afirmou que aplicará a Lei de Reciprocidade como resposta à medida dos EUA.
Essas ações refletem um caráter político além do econômico, conforme indicado por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que acusou o governo Lula de não negociar de boa-fé.
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