Nairobi, Quênia – O dia 25 de junho de 2024 é lembrado em silêncio por muitas famílias quenianas. Iniciados como manifestações lideradas por jovens contra a proposta de reforma tributária, os protestos rapidamente se transformaram em um movimento nacional, culminando em uma invasão dos terrenos do Parlamento. A violência que se seguiu resultou em mortes e desaparecimentos, conforme relatórios de grupos de direitos humanos e registros oficiais. Dois anos depois, algumas famílias ainda estão em busca de respostas.
Um relatório da Human Rights Watch de 2026 apontou que 26 pessoas ligadas aos protestos de 2024 e 15 associadas às manifestações de 2025 continuam desaparecidas. Na última terça-feira, familiares das vítimas, junto a grupos da sociedade civil e membros do público, realizaram uma marcha em memória das vítimas em Nairobi, pedindo por responsabilização e reforma policial.
O Custo da Dissidência
James Otieno, pai de Denzel Omondi, um jovem de 23 anos que desapareceu após participar das manifestações, expressou sua dor ao relatar que nenhum responsável foi responsabilizado até agora. Denzel foi visto sendo preso pela polícia em uma casa em Nairobi, logo após publicar um vídeo dos protestos. “A cada aniversário, eu choro. Estamos esperando por progresso nas investigações”, disse Otieno.
Em relação às investigações, a Independent Policing Oversight Authority (IPOA) revelou que apenas três dos 62 casos de morte chegaram ao tribunal, enquanto 46 ainda estão sob investigação.
Desaparecimentos e Preocupações
Susan Wangari Wanjohi, mãe de Emmanuel Kamau Mukuria, também está em busca de seu filho, desaparecido desde a mesma data. Ela relatou que seu filho foi preso em um local público e expressou a crença de que ele está vivo. “Eu só quero que o governo me devolva meu filho”, afirmou Wanjohi.
Além disso, um programa de compensação foi iniciado pelo governo para vítimas de violações de direitos humanos entre 2013 e 2025, mas familiares criticam o foco em compensação financeira, argumentando que isso não substitui a responsabilização. James Otieno resumiu o sentimento de muitos: “Mesmo que me dessem 20 milhões, isso não seria suficiente para a vida do meu filho. Queremos justiça.”