O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a oposição chega à fase decisiva da disputa presidencial sem apresentar uma agenda econômica clara para o Brasil. Em entrevista ao programa “É Notícia”, da RedeTV!, transmitida na noite de 28 de julho de 2026, Durigan criticou os adversários do governo, alegando que eles priorizam disputas políticas em detrimento de discussões sobre a economia.
“Eu tenho ouvido um grande silêncio, um silêncio retumbante do lado da oposição, do ponto de vista de proposta, de formulação econômica. Quem tem falado em desburocratização sou eu, e não é de agora. Quem tem defendido uma reforma tributária que facilite a vida do empreendedor, com uma emissão de nota fiscal e não várias, somos nós”, declarou Durigan.
Reforma tributária e arcabouço fiscal
O ministro considerou “um absurdo” a proposta de interromper a reforma tributária, argumentando que isso significaria manter o sistema atual, que ele vê como ineficiente. Ele também reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate sobre programas sociais, embora tenha ressaltado a necessidade de aperfeiçoamento de iniciativas como o Bolsa Família.
Durigan destacou que o próximo governo deve se comprometer em fortalecer o arcabouço fiscal, controlar o crescimento dos gastos obrigatórios e modernizar o Estado. Ele acredita que a redução das taxas de juros poderia facilitar investimentos públicos e privados em setores como minerais críticos, biocombustíveis e inteligência artificial.
“Tem críticas ao arcabouço? Tem. Qual é a minha posição? Nós temos que fortalecer o arcabouço fiscal daqui para frente, de modo que a gente tenha um crescimento do gasto menor do que o crescimento do país e faça com que a trajetória da dívida brasileira caia”, afirmou.
Tarifas dos EUA e impacto econômico
Em relação à sobretaxa imposta pelos Estados Unidos, Durigan considerou os argumentos do governo do ex-presidente Donald Trump como “falsos”. Segundo ele, o Brasil apresenta um déficit na relação comercial com os EUA, e a medida tem conotação política.
“Um Estado soberano tem condições de impor tarifa, aumentar tributo ou diminuir tributo, mas deveria fazer isso com as razões corretas, colocadas à luz do dia, o que não acontece com os Estados Unidos. Nada se justifica, nada para de pé, o que nos leva a crer que é uma interferência política externa”, declarou.
O ministro reconheceu que reverter as tarifas antes das eleições brasileiras será um desafio, mas o governo continuará as negociações. Ele planeja se encontrar com representantes norte-americanos na próxima reunião do G20.
Durigan também comentou que o tarifaço não deve alterar os principais indicadores da economia brasileira, mas pode afetar severamente setores específicos, como móveis, calçados, máquinas e equipamentos, além de produtores de frutas do Nordeste. Segundo ele, essas empresas podem enfrentar perda de faturamento, redução de empregos e suspensão de investimentos, e o governo pretende oferecer apoio para a busca de novos mercados.
Por fim, o ministro voltou a criticar o presidente argentino, Javier Milei, afirmando que a economia da Argentina “anda muito mal”. Milei esteve em São Paulo no dia 25 de julho para a convenção do Partido Liberal, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
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