A Provo Canyon School, uma escola de internação feminina em Utah, teve sua licença revogada por autoridades estaduais após denúncias de abusos, incluindo restrições desnecessárias e contato físico agressivo. A decisão foi anunciada por reguladores do estado, que identificaram problemas de não conformidade que remontam a 2025.

Paris Hilton, socialite e ex-aluna da instituição, tem sido uma das vozes mais proeminentes contra a escola, testemunhando sobre suas experiências traumáticas em audiências no Congresso. Hilton afirmou que a escola "falhou com as crianças sob seus cuidados" e destacou que a revogação da licença é um reconhecimento das histórias de abuso e negligência que foram compartilhadas ao longo de mais de cinquenta anos.

Irregularidades na Provo Canyon School

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Utah (DHHS) apontou que a escola não conseguiu fornecer serviços de saúde e segurança adequados aos seus alunos. Em um comunicado, o DHHS informou que a licença de tratamento residencial foi cancelada e que todos os serviços no campus devem ser encerrados até 6 de agosto. A escola tem um prazo de 15 dias para contestar a decisão.

Em resposta à revogação da licença, a Provo Canyon School declarou que está avaliando suas opções legais e administrativas, incluindo a possibilidade de apelação. Um porta-voz da escola enfatizou que a prioridade é fornecer cuidados seguros e de qualidade para adolescentes e suas famílias.

Testemunhos e luta por mudanças

Paris Hilton, agora com 45 anos, compartilhou sua experiência em um documentário lançado em 2020, onde alegou ter sido fisicamente agredida, forçada a tomar medicamentos e colocada em confinamento solitário como parte de programas destinados a "reformar" seu comportamento. Hilton expressou que a experiência a assombra até hoje e que ela, assim como muitos ex-alunos, acredita que a escola não deveria continuar operando.

Além das denúncias de Hilton, outros ex-alunos também exigem o fechamento da escola, e reclamações foram feitas à agência de licenciamento do estado no mês passado. Em junho, o campus masculino da escola em Provo também enfrentou restrições temporárias após uma investigação que revelou falhas na proteção de um aluno durante uma briga, resultando em lesões sem atendimento médico imediato.

A luta de Hilton contra o que ela chama de "indústria de adolescentes problemáticos" a levou a testemunhar em Congressos e assembleias estaduais, buscando legislações que protejam jovens de centros privados com fins lucrativos que lidam com questões comportamentais percebidas. Sua determinação em falar e buscar mudanças destaca a importância de responsabilizar instituições que falham em garantir a segurança e o bem-estar dos menores sob seus cuidados.