Quatro indivíduos foram condenados pelo Tribunal do Júri pela morte de Francineis dos Reis, de 35 anos, que faleceu enquanto estava internada em uma clínica clandestina em Caldas Novas, Goiás, em 2017. O julgamento, que durou mais de 20 horas, foi finalizado na última terça-feira (23).

Os condenados são João Batista Silva, Fabyane de Souza Guimarães Cunha, Afonsina Maria de Souza Cunha e Camilla Cristina Pereira, todos acusados de homicídio qualificado. As penas impostas variam entre 17 e 23 anos de prisão em regime fechado. Fabyane e Afonsina foram imediatamente encaminhadas ao sistema prisional, enquanto João e Camilla estão foragidos e com mandados de prisão expedidos.

Penas e Defesa

As condenações foram definidas da seguinte forma: Camilla Cristina Pereira receberá 23 anos, 7 meses e 6 dias; Afonsina, 17 anos, 8 meses e 24 dias; Fabyane, 17 anos, 7 meses e 6 dias; e João Batista, 18 anos e 4 meses de prisão. A defesa de João, Fabyane e Afonsina informou que irá recorrer da decisão, alegando que a condenação contraria as provas do processo e que as penas são desproporcionais. A defesa de Camilla não foi localizada.

Contexto da Morte

Francineis foi internada na clínica sob a promessa de tratamento especializado, mas, segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), sofreu maus-tratos, sendo submetida a uma mistura de medicamentos sedativos e privação de sono. A perícia confirmou que a causa da morte foi um tromboembolismo pulmonar, resultante dos abusos sofridos durante a internação.

A descoberta do crime ocorreu após uma auxiliar de autópsia ouvir pedidos de socorro de outra paciente no local. Durante o julgamento, a defesa tentou argumentar que a morte foi causada por fatores naturais, mas a tese foi rejeitada pelos jurados.