Cuba denunciou o embargo dos Estados Unidos durante um debate na Assembleia Geral da ONU, chamando-o de "cruel" e de "punição coletiva" ao povo cubano. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodriguez, afirmou que a ofensiva dos EUA contra a ilha representa uma "guerra não convencional" que se estende por quase sete décadas.
Rodriguez destacou que os danos causados pelo embargo entre março de 2025 e fevereiro de 2026 alcançaram a cifra recorde de US$ 8 bilhões, um aumento de sete por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O ministro acrescentou que esses números não refletem o "impacto extremo" do bloqueio de combustíveis imposto pelos EUA em fevereiro.
Contexto do embargo e apoio internacional
Na sessão da ONU, diversos blocos regionais, incluindo nações da África e do Caribe, manifestaram apoio a Cuba e condenaram o bloqueio. Desde 1992, a Assembleia Geral tem adotado anualmente uma resolução não vinculativa pedindo o fim do embargo, que, em 2022, obteve 165 votos a favor, uma redução em relação aos 187 do ano anterior.
Na votação de terça-feira, 136 países foram a favor da realização do debate sobre o embargo, enquanto nove se opuseram e 30 se abstiveram, incluindo aliados tradicionais como Alemanha e Canadá. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, refutou as críticas, afirmando que "não existe bloqueio americano", e que a verdadeira opressão em Cuba é causada pelo regime que controla a população.
Desafios internos e críticas à liderança cubana
Rodriguez também mencionou a falta de progresso nas conversas diplomáticas entre Havana e Washington, afirmando que a situação permanecerá estagnada enquanto os EUA tratem Cuba como um adversário derrotado. Por outro lado, alguns representantes, como o embaixador da União Europeia, Stavros Lambrinidis, reconheceram que a crise enfrentada pelo povo cubano não se deve apenas ao embargo, mas também à necessidade de reformas políticas e econômicas em Cuba.
Além disso, Lambrinidis enfatizou a importância do respeito aos direitos humanos e criticou a aliança de Havana com Moscou no contexto da guerra da Rússia contra a Ucrânia. As tensões entre Cuba e EUA continuam a se manifestar, refletindo as dificuldades que a ilha enfrenta, como interrupções no fornecimento de energia, agravadas pelo bloqueio de suprimentos de petróleo.
A crise energética tem levado a um aumento nas dificuldades de acesso a alimentos, água potável e medicamentos, com a ONU alertando para uma emergência humanitária na região. Desde que o presidente Donald Trump ordenou o bloqueio ao petróleo cubano em janeiro, a ilha experimentou uma acentuada escassez de combustíveis, resultando em um colapso das antigas usinas de energia soviéticas.
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