O Escritório de Comércio dos Estados Unidos promoveu audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho para discutir o tarifaço proposto pelo governo americano sobre produtos exportados do Brasil. O evento contou com a presença de empresas, representantes de setores produtivos brasileiros e até um pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Durante sua breve participação, que durou menos de cinco minutos, Bolsonaro argumentou que as tarifas poderiam beneficiar eleitoralmente o governo atual. Em declarações a jornalistas brasileiros após a audiência, ele expressou seu desejo de que a medida seja cancelada, ao contrário do adiamento sugerido em carta enviada ao Escritório na semana anterior.

Grandes multinacionais, como Coca-Cola, Nestlé, Tesla e eBay, também se manifestaram, enviando representações para solicitar que as tarifas não sejam aplicadas aos produtos brasileiros. A decisão final do governo americano sobre o assunto deve ser anunciada até o dia 15 de julho.

Consequências econômicas do tarifaço

No episódio do podcast O Assunto, a apresentadora Natuza Nery conversou com o economista Daniel Sousa sobre as potenciais consequências econômicas do tarifaço, caso o presidente Donald Trump decida seguir adiante com a imposição de tarifas ao Brasil. Segundo Sousa, a decisão pode ter impactos significativos, uma vez que alguns setores da economia brasileira são essenciais para as cadeias globais de suprimentos e também para a inflação nos Estados Unidos.

A análise de Sousa destaca que as tarifas podem afetar não apenas o comércio bilateral, mas também a dinâmica econômica global, uma vez que produtos brasileiros são integrados em diversas cadeias produtivas internacionais.

Contexto e reações

As audiências nos EUA foram marcadas por críticas técnicas às novas sanções, mas a decisão final é considerada política. Flávio Bolsonaro, durante sua fala, classificou o momento como o 'pior possível' para a imposição de novas tarifas, argumentando que isso poderia beneficiar o governo Lula.

Além das críticas direcionadas às tarifas, Bolsonaro também aproveitou a oportunidade para criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e atacar o governo Lula em suas declarações.

O podcast O Assunto, produzido pelo g1, está disponível em diversas plataformas de áudio e no YouTube. Desde sua estreia em agosto de 2019, acumulou mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube.