No segundo dia de audiências sobre a imposição de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, técnicos do governo brasileiro se reuniram nesta terça-feira (7) com representantes do USTR (Representante Comercial dos EUA). A confirmação foi feita por Marcio Elias Rosa após o encontro.

O ministro Marcio Elias Rosa destacou que a reunião deve ser continuada ao longo da semana, com um novo encontro solicitado com Jamieson Greer, chefe do USTR. A expectativa é que essa reunião de nível mais elevado ocorra ainda nesta semana ou no início da próxima, antes do prazo de 15 de julho, que é a data em que a decisão final sobre a aplicação das tarifas deve ser tomada.

Expectativas do governo sobre as tarifas

Segundo Marcio Elias Rosa, o governo brasileiro não espera que os Estados Unidos revertam completamente a decisão de tarifar produtos brasileiros. Ele enfatizou a importância de manter um diálogo aberto: "A principal orientação é não sairemos da mesa de negociação em momento algum e não permitiremos jamais que um tema que não diga respeito à relação comercial, à relação econômica, à boa relação política que o Brasil sempre teve com os Estados Unidos, deixe de presidir ou orientar as conversas."

Perspectivas desfavoráveis para o Brasil

O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, avaliou que as perspectivas para o Brasil em relação ao tarifaço são desfavoráveis. De acordo com ele, a avaliação atual no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios é de que é pouco provável que o Brasil escape das tarifas a partir de 15 de julho.

Rittner afirmou: "Hoje se considera que muito dificilmente o Brasil escapará dos 25%, além daqueles 12,5% que são para praticamente todo mundo, para 59 economias do planeta." Ele também ressaltou que, apesar da situação, há uma intenção clara de manter o canal de comunicação aberto com o USTR e com o restante do governo americano, independentemente da aplicação das tarifas.

As reuniões entre negociadores dos dois países têm ocorrido em um ambiente cordial, mas sem resultados efetivos, devido à falta de objetividade de ambas as partes. "Os americanos têm sido pouco objetivos no momento de pedir e os brasileiros também pouco objetivos na hora de acenar com alguma concessão", observou Rittner, mencionando temas como tarifas do etanol, abertura do mercado de veículos e produtos químicos.

Possibilidade de exclusões após a aplicação das tarifas

Rittner também apontou que, mesmo com a aplicação das tarifas, há a possibilidade de negociar exclusões de produtos da lista tarifária em um momento posterior. Ele citou exemplos anteriores, como suco de laranja, aeronaves da Embraer, café e carnes. O jornalista destacou que o governo americano enfrenta pressão interna por essas exclusões, e a existência de uma linha direta entre os dois países mantém essa possibilidade em aberto.

Além disso, ele mencionou que, após as eleições brasileiras, independentemente do resultado, pode haver espaço para uma redução mútua de barreiras protecionistas entre Brasil e Estados Unidos.