A Primeira-Ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou nesta quarta-feira que o país está preparado para defender cada centímetro de seu território, em resposta ao novo impulso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela aquisição da Groenlândia. Frederiksen fez suas declarações durante o segundo dia da cúpula da OTAN, realizada em Ancara, na Turquia.

As afirmações da líder dinamarquesa surgem após Trump renovar suas ameaças de tentar adquirir o território autônomo dinamarquês, sugerindo que os EUA poderiam retirar suas tropas da Europa em resposta à resistência da região em relação a essa proposta. “Nossa posição é clara, como sempre foi. A Groenlândia não está à venda”, enfatizou Frederiksen. “Esperamos que todos, incluindo nossos aliados, respeitem o direito do povo groenlandês à autodeterminação e que respeitem nossa integridade territorial e soberania”, completou.

Reações e Implicações da Proposta de Trump

Em entrevista, Frederiksen foi questionada pelo jornalista da CNBC, Steve Sedgwick, sobre a disposição da Dinamarca em defender militarmente a Groenlândia em caso de ataque. A Primeira-Ministra respondeu afirmativamente, afirmando: “Estamos prontos para defender cada polegada da OTAN, incluindo nosso próprio território”.

Ela ainda lembrou que a criação da OTAN foi fundamentada na ideia de que, se algo acontecer a um de seus membros, todos devem se unir em defesa. Durante uma reunião bilateral com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Trump comentou que a recusa da Europa em apoiar sua visão expansionista impactou negativamente seu relacionamento com a OTAN.

As Discussões em Torno da Groenlândia

Trump afirmou que a Groenlândia deveria ser controlada pelos Estados Unidos e não pela Dinamarca, argumentando que, ao não concordarem com sua proposta, a Europa estaria desperdiçando os recursos destinados à defesa contra a Rússia. Ele ainda sugeriu que os EUA poderiam retirar suas tropas do continente europeu, observando que a situação atual da Europa é bastante diferente da que existia há 20 anos.

A busca de Trump pela Groenlândia se tornou um tema de debate transatlântico no início do ano, quando o presidente americano fez repetidas declarações sobre a necessidade de adquirir a ilha. Legisladores groenlandeses, no entanto, reafirmaram que a Groenlândia não está à venda. No fim de janeiro, Trump anunciou que ele e o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, haviam estabelecido um “esquema para um futuro acordo” sobre o território.

Desde então, um grupo de trabalho formado por representantes dos EUA, Dinamarca e Groenlândia tem se reunido para discutir os próximos passos. Rutte, em suas declarações, reconheceu que Trump “absolutamente tem razão” ao se preocupar com o acesso da China e da Rússia ao Ártico, referindo-se às alegações do presidente americano de que a Groenlândia está “cercada” por navios chineses e russos. “É crucial que, como aliança, trabalhemos juntos para garantir que isso não aconteça”, concluiu Rutte.