Nesta edição da Copa do Mundo, que ocorre nos EUA, México e Canadá, a FIFA implementou pela primeira vez pausas de hidratação de três minutos, programadas para acontecer aos 22 e 67 minutos de cada partida. A medida, oficialmente justificada como uma forma de proteger a saúde dos jogadores em condições de calor extremo, foi recebida com descontentamento por parte de torcedores e atletas, que consideram as interrupções uma perturbação ao fluxo do jogo.

Ghazi Saoud, um torcedor de Chicago que apoia as seleções da Noruega e Marrocos, descreve as pausas como "intervalos de publicidade disfarçados". Para ele, a essência do futebol reside em seu formato tradicional de 90 minutos de jogo contínuo. "As pausas para hidratação sempre existiram, mas apenas quando realmente eram necessárias", afirma Saoud, enfatizando que a introdução de pausas programadas altera o ritmo da partida.

David Goldblatt, historiador do futebol e autor de obras sobre o esporte, também critica a medida. Ele questiona a necessidade de três minutos para uma simples hidratação. "Ninguém precisa de três minutos para beber um copo d'água. Por que são três minutos?", indaga Goldblatt. Segundo análises, a Fox, emissora que transmite a Copa nos EUA, pode estar lucrando cerca de US$ 250 milhões com comerciais durante essas pausas.

Comercialização e Mudanças na Copa do Mundo

A introdução das pausas para hidratação reflete um movimento maior de comercialização que a FIFA tem adotado. Estima-se que a Copa do Mundo de 2026 gerará cerca de US$ 3,9 bilhões apenas em direitos de transmissão, além de US$ 1,8 bilhão em patrocínios e marketing. A previsão é que o torneio injete aproximadamente US$ 10,5 bilhões no mercado publicitário global.

Mark Dyreson, professor de história do esporte, observa uma americanização crescente na Copa do Mundo, afirmando que a FIFA está seguindo um caminho natural de negócios, apesar da insatisfação de torcedores tradicionais. No entanto, Goldblatt adverte que a comercialização do futebol não é uma novidade e vem ocorrendo há décadas.

Adaptação ao Clima e Críticas

A FIFA justifica a implementação das pausas como uma resposta às preocupações sobre a segurança dos jogadores, especialmente em um contexto de aquecimento global. A entidade argumenta que as pausas ocorrerão independentemente da temperatura externa para garantir condições iguais a todas as equipes. Especialistas em clima preveem que os anos mais quentes da história podem ocorrer até 2030, tornando essas medidas ainda mais relevantes.

Apesar das críticas, a FIFA nega que as pausas tenham sido introduzidas para criar novas oportunidades publicitárias, afirmando que a maioria dos contratos de transmissão foi firmada antes do anúncio das pausas. A medida também se insere em um contexto mais amplo de mudanças no futebol, como a introdução de shows durante a final da Copa, com artistas como Shakira e BTS, e a adoção de preços dinâmicos para ingressos.