A UEFA expressou sua oposição ao plano da FIFA de vender uma participação em suas operações comerciais, incluindo a Copa do Mundo, através da criação de uma subsidiária semi-privada. A proposta, que visa gerar cerca de US$ 4,2 bilhões com investidores de longo prazo, foi criticada por seu potencial de criar conflitos de interesse entre os objetivos lucrativos dos investidores e o papel da FIFA como reguladora do futebol.

Proposta da FIFA e reações imediatas

Na terça-feira, a FIFA anunciou que planeja manter a maioria das ações da FIFA Forward Enterprise (FFE), mas pretende atrair capital externo, permitindo que investidores adquiram interesses minoritários e não controladores. Essa declaração foi uma resposta rápida a reportagens dos jornais britânicos The Times e The Financial Times, que vazaram informações sobre o projeto.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, que poderá se beneficiar ao se tornar comissário da FFE após seu mandato em 2031, teve sua posição negada pela entidade, que afirmou que tal discussão não ocorreu. Além disso, a FIFA já iniciou conversas com consultores financeiros e potenciais investidores, incluindo a Thrive Capital, de Joshua Kushner, e uma divisão do JP Morgan Chase.

Críticas e preocupações sobre a privatização

Sepp Blatter, ex-presidente da FIFA, chamou a atenção para a conexão americana e criticou a relação entre Infantino e o governo dos EUA, afirmando que isso prejudica o futebol. A UEFA também não hesitou em se manifestar, afirmando que a proposta ultrapassa limites que as instituições do futebol não deveriam cruzar. “A alma e a governança do futebol não são ativos a serem comercializados – especialmente sem transparência sobre quem lucra financeiramente”, declarou a UEFA.

A proposta da FIFA ainda precisa ser aprovada pelo conselho da FIFA, que conta com 38 membros, assim como pela maioria das associações membros. A FIFA pretende apresentar os detalhes do plano ao conselho em breve.

De acordo com a FIFA, a FFE poderia alcançar uma avaliação inicial de US$ 20 bilhões. Cada uma das 211 associações membros teria a oportunidade de adquirir uma participação única de US$ 20 milhões, um valor que, embora represente apenas 0,1% do total, seria significativo para as associações menores.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também se manifestou contra o plano, destacando que o futebol pertence aos torcedores e não a investidores. Em suas palavras, “o Mundial não é um produto. É a maior competição do esporte mundial, e nunca foi de ninguém para vender”.

Além disso, a FIFA já enfrentou dificuldades em transações que envolvem atividades comerciais com parceiros privados. A falência da ISL, que negociou direitos de Copa do Mundo, resultou em perdas estimadas entre US$ 30 milhões e US$ 115 milhões em 2001. A proposta atual de expansão da FFE levanta preocupações semelhantes sobre o futuro do futebol global.