A Uefa, entidade que rege o futebol europeu, convocou uma reunião de emergência com suas 55 associações membros para esta semana, a fim de debater as propostas polêmicas da Fifa relacionadas à venda de ações em suas principais competições.

A Fifa pretende criar uma nova subsidiária comercial para gerenciar eventos como a Copa do Mundo, permitindo que investidores externos adquiram participações. Essa proposta gerou preocupações sobre a possível influência excessiva de investidores privados nas competições, embora a Fifa argumente que a medida poderá aumentar a distribuição de recursos para associações de futebol ao redor do mundo.

Reação da Uefa às propostas da Fifa

Em um movimento incomum, a Uefa emitiu uma resposta às propostas da Fifa antes mesmo de sua publicação oficial, criticando-as por terem “ultrapassado uma linha”. A reunião será realizada de forma virtual e servirá para definir um plano de ação. A Football Association, por exemplo, expressou descontentamento por não ter sido consultada antes da divulgação das propostas pela Fifa, levantando a possibilidade de um boicote às competições.

A Uefa é consciente de que, apesar de representar apenas um quarto dos 211 países membros da Fifa, inclui a maioria das equipes de maior sucesso do futebol mundial. Seis dos oito semifinalistas da Copa do Mundo deste ano eram europeus, incluindo a campeã Espanha. Portanto, a Uefa reconhece que qualquer competição organizada pela Fifa perderia valor significativo sem a participação de seus membros.

Implicações das novas propostas para o calendário do futebol

A Fifa defende que sua proposta é necessária para expandir o futebol globalmente, mas essa busca por maior receita levanta preocupações de que as competições principais — como a Copa do Mundo masculina, a feminina e a correspondente Copa do Mundo de Clubes — possam ocorrer com mais frequência e envolver um maior número de participantes. Isso teria grandes implicações para um calendário do futebol que já está sobrecarregado, especialmente devido à expansão das competições de clubes europeus.

Uma fonte sênior do futebol inglês declarou à BBC Sport que a ameaça representada pelos planos da Fifa é uma das mais graves enfrentadas pelo esporte, comparável à controvérsia gerada pela Superliga Europeia em 2021, que foi desfeita em menos de 48 horas. No entanto, parece improvável que a Fifa recue diante das críticas.

Além disso, a Fifa anunciou que seu plano inclui a ampliação do financiamento para o desenvolvimento global do futebol para US$ 10 bilhões. Cada uma das 211 associações membro poderá acessar até US$ 20 milhões em capital único. Essa nova escalada nas relações entre Fifa e Uefa é um reflexo do descontentamento que se intensificou desde a proposta de realização da Copa do Mundo a cada dois anos, sugerida em 2021 pelo atual chefe de desenvolvimento global da Fifa, Arsène Wenger.