Alguns dos maiores bancos do Reino Unido têm falhado em atender seus clientes mais vulneráveis, conforme apontado pelo regulador financeiro do país, a Financial Conduct Authority (FCA). Segundo a FCA, instituições financeiras têm direcionado pessoas em situação de rua ou com dificuldades financeiras para aplicações online inadequadas, em vez de oferecer contas bancárias básicas.
As contas básicas são gratuitas, não oferecem limite de crédito e proporcionam serviços bancários essenciais para aqueles que não conseguem abrir uma conta convencional. Recentemente, nove bancos e sociedades de crédito do Reino Unido que operam essas contas concordaram em atender às exigências da FCA para facilitar o acesso a esses serviços.
Características das contas básicas
As contas bancárias básicas possuem várias funções similares às contas correntes regulares, sendo projetadas para indivíduos que, de outra forma, poderiam ser excluídos do sistema bancário. Atualmente, mais de quatro milhões de pessoas no Reino Unido utilizam essas contas, que são disponibilizadas por instituições como Barclays, The Co-operative Bank, HSBC, Lloyds Banking Group (incluindo Halifax e Bank of Scotland), Nationwide Building Society, NatWest (incluindo RBS e Ulster Bank), Santander, TSB e Virgin Money.
Entre as principais características dessas contas estão: a aceitação de pagamentos como salários e benefícios, a possibilidade de realizar pagamentos via cartão de débito, débito automático e ordens permanentes, além de serem gratuitas, mas sem facilidades de crédito. Elas estão disponíveis para pessoas com histórico de crédito ruim, que estejam em falência ou que tenham um plano oficial de recuperação de dívidas. Algumas contas também oferecem acesso a pessoas em situação de rua, mediante a parceria com ONGs para confirmar a identidade dos solicitantes.
Desempenho insatisfatório e novas promessas
Uma pesquisa realizada pela FCA, no formato de um “mystery shopping”, revelou que um terço das interações com contas básicas foram avaliadas como ruins ou muito ruins. Este estudo abrangeu 298 interações em agências e por telefone, com 28% das experiências sendo classificadas como boas ou muito boas, 38% como regulares, 20% como ruins e 14% como muito ruins.
Entre os problemas identificados, destacou-se a falta de oferta dessas contas para pessoas que realmente precisavam, especialmente aquelas sem endereço fixo. Algumas instituições financeiras direcionaram clientes em circunstâncias vulneráveis para aplicações online que não atendiam suas necessidades.
Emad Aladhal, diretor de banco de varejo da FCA, afirmou: "Contas bancárias são importantes para a inclusão financeira, e isso garante que as pessoas que mais poderiam se beneficiar das contas básicas não fiquem de fora." Em resposta, os bancos se comprometeram a fornecer o tipo certo de conta na primeira tentativa, facilitar a abertura de contas para clientes sem identificação padrão ou endereço fixo e oferecer alternativas às aplicações online para pessoas vulneráveis.
Peter Tyler, diretor de banco pessoal da UK Finance, reconheceu que é necessário fazer mais para garantir resultados positivos consistentes para todos. Ele mencionou o programa Breaking the Cycle, uma iniciativa externa que colaborou com a ONG Shelter para assegurar que pessoas sem endereço fixo tivessem acesso a contas bancárias.
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