O Irã enfrenta um longo e difícil caminho para a recuperação após quase quatro meses de conflito com os Estados Unidos e Israel. Antes da guerra, o país já lidava com sanções e isolamento internacional devido ao seu programa nuclear, o que havia reduzido suas exportações de petróleo — sua principal fonte de renda — em cerca de 50%.

A economia iraniana já estava em crise, com inflação próxima de 50% e severas faltas de bens essenciais. A guerra causou uma contração econômica adicional de 10%, segundo analistas, incluindo danos à infraestrutura e perdas nas exportações de petróleo.

Acordo de entendimento e alívio imediato

Um memorando de entendimento (MOU) assinado em 17 de junho oferece alívio imediato por meio de isenções às sanções dos EUA, permitindo a Teerã aumentar suas exportações de petróleo bruto e produtos refinados. Essas isenções de 60 dias abrangem também transporte, seguros e transações bancárias, fortalecendo a posição legal e financeira do Irã.

Ali Vaez, diretor do projeto Irã no International Crisis Group, afirmou que o MOU proporciona um "alívio econômico imediato", que é urgentemente necessário. Mesmo com a capacidade de vender petróleo para a China, o regime iraniano enfrentava dificuldades antes do conflito.

Rebote nas exportações de petróleo

O Irã já estava exportando petróleo, desafiando as sanções, e a nova isenção deve permitir que o país consiga preços melhores para seu petróleo. Desde 15 de junho, 36 milhões de barris foram exportados pelo Estreito de Hormuz, o equivalente a mais de 5 milhões de barris por dia.

Desafios futuros e fundos congelados

Teerã busca acesso a mais de $100 bilhões em ativos congelados, enquanto a liberação de $24 bilhões ocorrerá de forma gradual, dependendo do cumprimento de certas condições. Além disso, um fundo de reconstrução proposto de $300 bilhões vem com exigências rigorosas relacionadas ao programa nuclear do Irã e ao financiamento de grupos terroristas.

Analistas alertam que, mesmo com a liberação dos fundos, o alívio seria limitado para a população iraniana, questionando a eficácia de um futuro fundo de reconstrução.