Cory Doctorow, escritor conhecido por popularizar o termo ‘enshittification’, apresenta uma visão crítica sobre a inteligência artificial (IA) e suas promessas. Em seu novo livro, The Reverse Centaur’s Guide to Life After AI, Doctorow introduz o conceito de ‘reverse centaur’, que se refere a pessoas que se tornam assistentes de máquinas, em vez de serem auxiliadas por elas.
O conceito de 'reverse centaur'
Segundo Doctorow, todos os trabalhadores de armazéns que enfrentam condições extremas, como precisar urinar em garrafas para cumprir metas impostas por algoritmos, são exemplos de ‘reverse centaurs’. Ele também menciona motoristas de caminhões autônomos que precisam estar presentes para evitar acidentes, advogados que, em vez de receber salários adequados, verificam a precisão de sistemas de IA como o Gemini, e músicos independentes que se esforçam para sobreviver fazendo covers de músicas geradas por IA.
A ameaça da automação
Doctorow destaca que a automação não apenas ameaça empregos, mas também coloca em risco a capacidade das pessoas de viver de forma autônoma. Ele cita declarações de figuras proeminentes do setor tecnológico, como Elon Musk, que classificou a IA como a maior ameaça à civilização humana, e Sam Altman, que advertiu que isso “provavelmente levará ao fim do mundo”. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, fez previsões sombrias, sugerindo que a IA pode passar a nos ver como recursos a serem explorados.
Uma visão crítica sobre a IA
“As pessoas que trabalham com IA alegam que estão prestes a criar um deus, ensinando palavras a um programa de adivinhação de palavras”, critica Doctorow. “É uma visão grandiosa e enganosa sobre o que a tecnologia pode oferecer.”