No bairro industrial de Gurugram, nos arredores de Delhi, trabalhadores de uma fábrica de roupas estão sendo filmados enquanto realizam suas tarefas diárias. Lalita, uma operária de 32 anos, relata que, ao receber uma câmera montada na cabeça, achou a situação engraçada, mas logo percebeu que a atmosfera no local de trabalho mudava à medida que a preocupação com a produtividade aumentava.
A prática de filmar trabalhadores para coletar dados de movimentos humanos, conhecida como dados egocêntricos, é parte de uma estratégia crescente das empresas na Índia para automatizar processos industriais. Esses dados são essenciais para treinar robôs que podem eventualmente substituir os humanos nas linhas de produção.
O CEO da EgoLab, uma empresa de agregação de dados que coleta essas informações, conta que a demanda por dados egocêntricos está em ascensão, especialmente com a previsão de que a Tesla, uma de suas principais clientes, derive 80% de seu valor futuro da robótica. No entanto, trabalhadores como Lalita, que ganha cerca de US$ 200 por mês, não recebem compensação adicional pelo material gerado.
Preocupações com Privacidade e Consentimento
Especialistas em direitos trabalhistas afirmam que a coleta de dados levanta questões sérias sobre privacidade e consentimento. Geeta Thatra, pesquisadora da Work Fair and Free Foundation, destaca que muitas operárias podem não perceber que estão sendo filmadas, levantando preocupações sobre segurança e consentimento em ambientes de trabalho inseguros.
Além de fábricas, a coleta de dados se expande para trabalhadores informais, como pedreiros e entregadores, que também são incentivados a registrar suas atividades. Apesar de receberem compensações diretas, a prática continua a suscitar debates sobre as condições de trabalho e a exploração. À medida que a automação avança, as questões sobre quem realmente se beneficia dos dados gerados pelos trabalhadores permanecem sem resposta.