Um recente teste de mísseis realizado pela China no Pacífico gerou uma onda de críticas internacionais, especialmente dos Estados Unidos e da Austrália, que afirmam que a ação não seguiu as normas do direito internacional e foi realizada com aviso insuficiente a países vizinhos.

De acordo com um porta-voz do governo chinês, o teste foi classificado como "seguro" e parte de um treinamento militar de "rotina", pedindo que críticos não "superinterpretem" a situação. A agência estatal Xinhua informou que o teste envolveu um "míssil estratégico com uma ogiva simulada" lançado de um "submarino nuclear estratégico da marinha".

Reações oficiais e preocupações sobre segurança

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que o lançamento foi uma parte rotineira do treinamento militar anual do país, em conformidade com as leis e práticas internacionais, e não direcionado a nenhum país específico. "Os países relevantes foram notificados com antecedência, e a atividade de lançamento foi realizada de forma segura e profissional", disse Mao, acrescentando que espera que os países não interpretem a situação de forma exagerada.

No entanto, Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, expressou a necessidade de a China se engajar em discussões significativas sobre controle de armamentos e estabelecer um acordo regular de notificação para lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais e espaciais. Pigott destacou a preocupação com o rápido e opaco aumento das armas nucleares de Pequim.

Desacordos sobre a conformidade com normas internacionais

O ministro australiano Pat Conroy, responsável pelas indústrias de defesa e assuntos das Ilhas do Pacífico, questionou as alegações da China sobre a conformidade com o direito internacional. Em uma entrevista à rádio ABC, Conroy afirmou que a ação foi "desestabilizadora" e não está em conformidade com a Convenção de Haia sobre testes de mísseis balísticos, que exige maior aviso e informações mais detalhadas aos países envolvidos.

Conroy não confirmou se a Austrália havia levantado objeções formais a nível ministerial, mas mencionou que as nações têm se comunicado. Ele criticou o que chamou de "aviso insuficiente" sobre o teste, indicando que a notificação foi recebida apenas horas antes da confirmação do lançamento.

A Xinhua também relatou que a marinha do Exército Popular de Libertação da China (PLA) afirmou que o míssil foi lançado em direção a "águas internacionais relevantes do Oceano Pacífico" e que aterrissou "precisamente dentro das águas designadas", embora não tenha especificado a localização exata.

Joseph Wu, secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, publicou um mapa nas redes sociais mostrando a trajetória do míssil, que teria passado pelo sudeste da China, sobre as Filipinas, e caído ao sul de Nauru. Wu classificou o teste como uma provocação que desestabiliza a região do Indo-Pacífico.

O ministro australiano Richard Marles também se manifestou sobre o teste, admitindo que a informação disponível indicava que o local do lançamento não era particularmente próximo da Austrália, mas expressou preocupações sobre as capacidades de mísseis de longo alcance da China.