Representantes dos setores afetados e integrantes do governo federal demonstram visões diferentes sobre a adoção de medidas de reciprocidade em resposta às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que começaram a valer nesta quarta-feira (22). Enquanto o governo mantém a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, entidades empresariais têm defendido que o Brasil priorize a negociação e medidas de apoio às empresas. Nesta terça-feira (21), o governo iniciou uma rodada de reuniões com representantes dos segmentos mais atingidos pela nova taxação.

Os encontros tem como objetivo identificar demandas dos setores e discutir mecanismos de mitigação dos impactos da medida americana. LEIA TAMBÉM: Governo prepara ajuda em etapas a empresas afetadas por tarifaço Governo Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço do governo Trump Governo se reúne com setores para avaliar impacto da nova tarifa dos EUA ➡️ A tarifa adicional de 25% foi confirmada na semana passada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer nesta quarta-feira (22). A medida é resultado de uma investigação comercial conduzida ao longo de cerca de um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Apesar da sobretaxa, uma série de produtos brasileiros, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose, foi excluída da cobrança. No governo, a avaliação é que a Lei da Reciprocidade permanece como instrumento disponível para responder às medidas adotadas por Washington. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela.

Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A medida é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde que os Estados Unidos anunciaram as primeiras tarifas, ainda no ano passado. Ao mesmo tempo, integrantes da equipe econômica têm buscado demonstrar cautela.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo continua apostando na negociação e sinalizou que uma resposta brasileira não deve ser tratada como uma retaliação comercial. Nesta terça, após reunião com setores, ao ser perguntado sobre a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, o vice-presidente afirmou que o governo estuda todas as possibilidades e deve adotar as medidas no "momento adequado". "A ideia não é retaliação.

Não é retaliação. 'Olho por olho', o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?", afirmou o vice-presidente. Além disso, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) que, no momento, "não há a necessidade de se buscar a aplicação de nenhuma medida" contra os Estados Unidos.

"Dizer que nós temos a lei é diferente de aplicar a medida de reciprocidade. A lei nos dá a possibilidade de aplicação de uma medida de reciprocidade e ela envolve também adoção de procedimentos para se chegar a uma medida eventual.