Em julho, os Estados Unidos anunciaram a imposição de tarifas significativas ao Brasil, sendo a primeira de 25%, oriunda de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas consideradas desleais na economia brasileira. A segunda tarifa, de 12,5%, foi aplicada a diversos países, incluindo o Brasil, por não fiscalizarem adequadamente o uso de trabalho forçado. Em resposta, o governo brasileiro criticou as medidas e anunciou uma série de ações para mitigar os impactos dessas tarifas.

Para apoiar os setores mais afetados, o governo Lula propôs um pacote econômico de R$ 18,5 bilhões. Além disso, o Brasil decidiu levar a questão das sobretaxas à arbitragem da Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando uma resolução internacional para a disputa comercial.

Reação do Brasil e análise de especialistas

No episódio do podcast O Assunto, o economista Victor Boyadjian entrevistou Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, que comentou sobre as possíveis respostas que o Brasil poderia esperar da OMC. Segundo ela, a arbitragem é um passo importante, mas o país também pode explorar outras estratégias, como a Lei de Reciprocidade e mecanismos legais de retaliação em setores que interessam aos Estados Unidos.

As tarifas impostas por Trump não apenas afetaram as relações comerciais entre Brasil e EUA, mas também levantaram questões sobre a capacidade do Brasil de aumentar sua participação no comércio global. A diplomacia brasileira considera a possibilidade de recorrer à OMC como um gesto simbólico, que visa marcar a posição do Brasil frente aos Estados Unidos.

Impactos e próximos passos para o comércio brasileiro

A imposição das tarifas pelos EUA redesenhou o mapa das exportações brasileiras. Em contrapartida, as vendas para a China alcançaram recordes, evidenciando uma possível mudança nas dinâmicas comerciais do país. O governo brasileiro também está em conversações com a China sobre um acordo envolvendo o Mercosul, buscando novas alternativas para fortalecer suas relações comerciais.

Além disso, a prorrogação da sobretaxa que os EUA aplicaram ao Brasil desde julho de 2025 não traz efeitos práticos, mas sinaliza a continuidade das tensões comerciais. Especialistas, como o ex-diplomata Philip Yang, defendem que a retaliação do Brasil às tarifas é uma medida necessária, considerando que a negociação deve ser uma consequência da firmeza nas posições.

O podcast O Assunto, que discute esses e outros temas relevantes, é produzido diariamente e está disponível em diversas plataformas de áudio e no YouTube, acumulando mais de 168 milhões de downloads desde sua estreia em agosto de 2019.