Anualmente, cerca de 300 mil crianças e adolescentes com idades entre zero e 19 anos são diagnosticados com câncer. Os tipos mais frequentes incluem leucemias, linfomas e tumores do sistema nervoso central. Nos países desenvolvidos, o avanço nos tratamentos elevou a taxa de sobrevivência para mais de 80% em cinco anos, uma melhoria significativa em relação aos 58% registrados na década de 1970. No Brasil, a média de cura, que varia conforme a região, é de aproximadamente 65%.

Com o aumento das taxas de sobrevivência, as complicações enfrentadas pelos sobreviventes têm ganhado atenção, especialmente os impactos emocionais. O diagnóstico e o tratamento do câncer podem ser experiências traumáticas, e pesquisa indica que crianças e adolescentes que vencem a doença estão mais propensos a desenvolver problemas psicológicos.

Desafios emocionais pós-tratamento

A psicóloga Jeanelle Folbrecht, diretora de um programa para adolescentes no City of Hope, em Los Angeles, ressalta que esses jovens lidam com uma carga emocional significativa. "Não se trata apenas da possibilidade de uma vida abreviada, mas também do luto por como suas vidas poderiam ser sem o câncer. Este luto está relacionado a limitações físicas e à impossibilidade de participar de certas atividades ou seguir determinadas carreiras", explica.

Uma meta-análise que abrangeu 52 estudos clínicos, envolvendo 20 mil participantes, revelou que sobreviventes de câncer têm maior probabilidade de enfrentar transtornos após a remissão, em comparação com seus irmãos e grupos de controle. Os dados indicam que esses jovens têm um risco 57% maior de desenvolver depressão, 29% de ansiedade e 56% de quadros psicóticos. A pesquisa, publicada na revista científica "JAMA Pediatrics", destaca que a ansiedade e a depressão ocorrem com frequência particular em indivíduos acima de 25 e 30 anos, respectivamente.

No Brasil, o câncer infantil é a principal causa de morte por doenças em crianças, além de ser a segunda causa geral de óbitos, atrás apenas dos acidentes. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, entre 2023 e 2025, serão registrados 7.930 casos de câncer na faixa etária de zero a 19 anos.