A Royal Mail anunciou um aumento de até 36% nos preços de seu serviço de correio atacado, o que representa um impacto significativo para o NHS e outras grandes organizações. A partir de 5 de outubro, os clientes que utilizam esse serviço para enviar correspondências, como cartas de marketing e avisos médicos, enfrentarão um aumento médio de 25% nos custos.
Impacto financeiro no NHS
Relatórios anteriores indicam que o NHS gastou pelo menos £100 milhões em correspondências postais em 2024. Com o aumento de 25% nos preços, isso pode resultar em vários milhões de libras a mais em custos para a instituição. Os novos valores afetarão clientes do correio em massa, como UK Mail, Whistl e Citipost, que se especializam na triagem e processamento de correspondências em nome de grandes empresas, incluindo bancos e entidades como HMRC.
Desafios enfrentados pela Royal Mail
A Royal Mail é responsável pela entrega final da maior parte das cartas enviadas no Reino Unido. Contudo, com muitas empresas optando por meios digitais como e-mail e redes sociais, o volume de cartas está em declínio, o que eleva os custos do serviço. Em uma comunicação divulgada, a Royal Mail reconheceu que qualquer aumento de preço é desafiador, especialmente no atual cenário econômico. Richard Travers, diretor-geral da divisão de cartas da empresa, afirmou que “o desafio financeiro de manter a rede postal nacional do Reino Unido, que conta com 130.000 colaboradores, permanece significativo, e estamos enfrentando custos crescentes em toda a nossa operação, incluindo combustível e mão de obra”.
O aumento de preços surge em um contexto em que a Royal Mail, sob a propriedade do bilionário tcheco Daniel Křetínský desde abril de 2025, tem enfrentado dificuldades em cumprir as metas de entrega estabelecidas pelo regulador postal. A maioria dos contratos de correio em massa exige que a entrega ocorra no dia seguinte, mas a empresa tem falhado regularmente em atender a esses padrões.
A Ofcom, órgão regulador, iniciou uma nova investigação em junho após constatar que quase 25% das cartas de primeira classe chegaram atrasadas no ano até março. Desde 2023, a Royal Mail já foi multada em £37 milhões por não cumprir as metas de entrega. A investigação também abordará alegações de que a empresa prioriza a entrega de pacotes em detrimento das cartas, uma prática que a Royal Mail nega.
Reações ao aumento de preços
A Mail Users’ Association, que representa empresas de serviços financeiros e grandes produtores de correio, classificou o aumento de preços como “sem precedentes”, alertando que isso colocará uma pressão financeira considerável sobre organizações que dependem do correio para se comunicar com seus clientes. O custo para enviar uma carta de correio em massa pesando até 100g usando o serviço econômico da Royal Mail aumentará em 36,1%, enquanto o envio de uma carta grande entre 101g e 250g pelo serviço de correio publicitário padrão terá um acréscimo de 11,4%.
A Royal Mail informou que o volume de correio de acesso caiu quase um terço desde o início da década, passando de 6,3 bilhões de itens enviados anualmente em 2019-20 para cerca de 4,2 bilhões atualmente. A empresa também destacou que precisa atender a um número crescente de endereços no Reino Unido, atualmente totalizando 32 milhões, e que está trabalhando para mitigar o impacto dessas mudanças sobre seus clientes.
Um porta-voz da Royal Mail declarou: “Essas mudanças se referem aos nossos clientes de negócios de acesso, que continuarão a se beneficiar de preços mais baixos do que as tarifas equivalentes para consumidores. A Royal Mail registrou perdas de quase £800 milhões nos últimos quatro anos e suas finanças permanecem abaixo do nível que a Ofcom considera compatível com um serviço universal financeiramente sustentável.”
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