Refugiados e organizações não governamentais criticam os planos do governo britânico que propõem que solicitantes de asilo paguem uma contribuição fixa de 10 mil libras esterlinas (cerca de 13.360 dólares) referente às taxas de subsistência recebidas durante o processamento de seus pedidos.

Frank*, um solicitante de asilo de 38 anos, vive em situação precária em Londres, onde passa as noites nas ruas e trabalha em um turno noturno. Ele chegou ao Reino Unido em 2019 com um visto de visita e, atualmente, busca asilo por questões de segurança, devido a sequestros em sua cidade natal na Nigéria. Frank, que ainda se recupera de uma fratura na perna, expressa preocupação com a nova proposta do governo, que pode agravar ainda mais sua situação financeira.

Nova legislação e suas implicações

A nova proposta do governo, inserida no Immigration and Asylum Bill, prevê que adultos com recursos financeiros suficientes sejam cobrados mensalmente até que a dívida seja quitada, o que deve ocorrer antes que possam solicitar a residência permanente. A Secretária de Estado para a Imigração, Shabana Mahmood, defendeu a medida, afirmando que receber suporte de asilo é um direito, mas também uma responsabilidade.

Frank questiona como poderá arcar com tal dívida, sugerindo que uma abordagem mais flexível, atrelada às circunstâncias financeiras dos solicitantes, seria mais adequada. Ele sugere que, em vez de um pagamento financeiro, poderia contribuir com serviços à comunidade.

Reações e preocupações sobre a nova política

Shams Moussa, um ex-solicitante de asilo, compara o processo de busca por refúgio a uma espera angustiante por um diagnóstico médico. Embora não seja diretamente afetado pela nova política, ele alerta que a cobrança de 10 mil libras ignora a realidade financeira de muitos solicitantes, que frequentemente vivem com um auxílio de cerca de 50 libras por semana (aproximadamente 67 dólares).

Organizações de direitos dos migrantes, como a Migrants' Rights Network, criticam a proposta como uma política punitiva que aumenta a dívida dos refugiados antes mesmo que eles consigam se estabilizar financeiramente. A diretora da Reset Communities for Refugees, Amina Khanom, enfatiza que, em vez de pressionar os refugiados com dívidas, o governo deveria focar em acelerar o processamento de pedidos e criar rotas seguras para a imigração.

Dados do Home Office do Reino Unido indicam que, mesmo após a concessão de status, os rendimentos dos refugiados permanecem modestos, com a média anual de ganhos entre refugiados em emprego alcançando 13 mil libras (cerca de 17.400 dólares) após oito anos. Moussa considera a proposta de cobrança uma ideia superficial do governo, ressaltando que o foco deve ser a reintegração dos solicitantes na sociedade.

Frank conclui refletindo sobre as dificuldades enfrentadas por aqueles que buscam asilo, destacando que muitos vêm em busca de segurança e não devem ser vistos como uma ameaça. “Você não deve assumir que todos os solicitantes de asilo vêm aqui para serem violentos ou se envolverem em crimes”, afirma.