Mais de um milhão de proprietários no Reino Unido devem experimentar um aumento nas despesas com hipotecas, superando as previsões do Banco da Inglaterra, em decorrência do impacto da guerra no Irã. As novas estimativas indicam que cerca de cinco milhões de proprietários enfrentarão elevações em suas prestações mensais até o final de 2028, um aumento em relação aos quatro milhões projetados em dezembro.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco afirmou que, embora o impacto seja significativo, não será tão severo quanto o observado nos últimos anos. Um proprietário típico que está prestes a sair de um contrato de taxa fixa nos próximos dois anos deverá ver um aumento médio de £45 em suas prestações mensais. Isso contrasta com um aumento médio de £120 para aqueles que renovaram seus contratos entre o final de 2022 e o final de 2024.

Entretanto, 750 mil proprietários que atualmente pagam menos de 3% de juros em seus contratos deverão sair desses produtos ainda este ano, enfrentando um aumento médio de £170 por mês. Saima Siddiqui, uma proprietária de 33 anos que está prestes a refinanciar seu apartamento em Surrey, expressou preocupação com o impacto financeiro. 'Isso significa que vou ter que ser mais cuidadosa com outras coisas', disse ela. 'O que era aceitável agora se tornou um desafio, e se os aumentos continuarem, será difícil manter o mesmo padrão de vida se meu salário não acompanhar.'

Desafios para os mutuários

Mais de 80% dos clientes de hipotecas têm contratos de taxa fixa, que não sofrem alterações até o término do acordo, geralmente após dois ou cinco anos. O Banco da Inglaterra projetou que mais de dois milhões de mutuários com contratos fixos de dois anos que expiram até o final de 2028 deverão refinanciar próximos às taxas atuais, resultando em pouca mudança nas prestações.

No entanto, esses mutuários agora não devem esperar reduções nas prestações nos próximos anos, ao contrário das previsões feitas antes do conflito no Irã. A guerra resultou no fechamento do estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial que representa cerca de 20% do fornecimento global de energia, elevando os preços do petróleo e do gás e, consequentemente, impulsionando a inflação e aumentando a possibilidade de elevações nas taxas de juros pelos bancos centrais.

Perspectivas econômicas

Os bancos repassaram as taxas de juros mais altas para os proprietários, elevando as taxas de hipoteca para compradores de primeira viagem e aqueles que estão refinanciando. A taxa média de hipoteca fixa de dois anos saltou de 4,83% no início de março para um pico de 5,90% em 12 de abril, antes de recuar para 5,49%.

O relatório do Banco da Inglaterra destaca que as famílias de baixa renda, incluindo os inquilinos, estão mais expostas a preços de energia elevados, uma vez que gastam uma parte maior de sua renda em itens essenciais, limitando sua capacidade de ajustar os gastos. Apesar disso, a análise sugere que as finanças das famílias se mantêm resilientes, mesmo em um ambiente externo desafiador.