Nos Estados Unidos, Austrália e Japão, o ar-condicionado é um item comum nos meses quentes de verão. No entanto, na Alemanha, apenas 6% das residências possuem esse equipamento, contrastando com a média de 90% nos EUA, segundo o Departamento de Energia americano.
Até recentemente, o ar-condicionado não era visto como uma necessidade na Europa, especialmente nas regiões mais ao norte. Embora as ondas de calor sempre tenham sido uma característica do verão europeu, a situação está mudando. Eventos extremos de calor estão se tornando cada vez mais comuns, conforme aponta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.
Uma análise da ClimaMeter revela que em junho de 2026, as temperaturas na Europa estavam entre 2 e 4 graus Celsius mais altas do que nas últimas décadas do século XX. Essa elevação provoca um aumento na demanda por energia elétrica para refrigeração, com um crescimento de 75% na procura por ar-condicionado na Alemanha entre 2019 e 2024, conforme a Eurovent, associação do setor.
Apesar da crescente necessidade, a resistência ao ar-condicionado persiste. Stijn Renneboog, secretário-geral adjunto da Eurovent, destaca que muitos ainda consideram a climatização um luxo, ignorando os riscos à saúde pública que as altas temperaturas representam.
Desafios das residências europeias
A construção de muitas casas na Alemanha e em outras partes do norte da Europa priorizou o aquecimento, e não o resfriamento. Além disso, a instalação de ar-condicionado em edificações antigas pode ser complicada, enfrentando barreiras regulatórias e estéticas.
Custos e preocupações ambientais
Os altos custos da energia e a preocupação com o meio ambiente também são fatores que inibem a adoção do ar-condicionado. Muitos europeus não conseguem arcar com as despesas para manter suas casas frescas, e o uso de ar-condicionado pode aumentar a temperatura externa, agravando ainda mais o problema do aquecimento global.