O mundo biológico conhecido representa apenas uma pequena fração do que pode existir. Baseado nessa ideia, o projeto AI BioDesign foi criado: uma iniciativa que combina inteligência artificial e experimentos laboratoriais em larga escala para projetar e testar novas moléculas e funções biológicas que não existem na natureza mas são fisicamente e quimicamente possíveis.

Os pesquisadores visam criar bancos de dados, modelos e ferramentas que servem como 'sementes' para o desenvolvimento de medicamentos e tecnologias futuras. Por exemplo, eles buscam novos medicamentos para tratar câncer e doenças neurodegenerativas, ou enzimas capazes de decompor plásticos no oceano.

Objetivos e riscos

David Baker, líder do projeto e vencedor do Prêmio Nobel de Química em 2024, explica que os riscos envolvidos na criação dessas moléculas são similares aos de qualquer nova tecnologia biológica. A principal preocupação é a interação indesejada com sistemas vivos, efeitos ambientais imprevistos ou uso inadequado.

A vantagem atual é que a modelagem computacional permite avaliar muitos desses riscos antes da síntese de uma molécula. Designs podem ser testados computacionalmente, submetidos a experimentos laboratoriais controlados e validados cada vez mais realistas antes de qualquer aplicação prática.