A intensa onda de calor que atinge a França transformou os icônicos telhados de zinco de Paris em um verdadeiro pesadelo para aqueles que habitam os apartamentos no último andar, frequentemente pequenos e mal ventilados. A jovem Amelie Kenney, de 23 anos, que antes se orgulhava de ter uma vista privilegiada da capital francesa, agora enfrenta uma realidade difícil. "Tem sido a pior semana que já tivemos neste apartamento", desabafou.

As altas temperaturas, que ultrapassaram os 40°C durante o dia e 25°C à noite, tornaram os apartamentos sob os telhados não apenas desconfortáveis, mas também perigosos. Um estudo de 2022 revelou que residir em um sótão parisiense pode aumentar em mais de quatro vezes o risco de morte por calor.

De acordo com pesquisa publicada na revista The Lancet Planetary Health, Paris apresenta os maiores riscos de morte relacionada ao calor entre 30 capitais europeias analisadas. Muitos moradores, como Kenney e sua parceira Francesca Pilia, compartilham espaços apertados, com janelas que recebem sol direto, enfrentando um dilema constante entre abrir ou fechar a janela para lidar com o calor e o barulho.

Desafios das regulamentações

Enquanto prédios comerciais e cinemas em Paris normalmente possuem ar-condicionado, os apartamentos particulares, especialmente em áreas centrais, frequentemente não têm esse recurso. Maider Olivier, do grupo de defesa habitacional, destaca que as regulamentações que visam preservar a estética dos telhados dificultam melhorias que poderiam proteger os moradores do calor extremo.

“As regras que protegem os telhados de Paris não protegem as pessoas que vivem sob eles”, afirmou Olivier. Em meio a este cenário, Kenney e Pilia estão buscando formas de se adaptar, usando ventiladores e mantendo-se hidratadas, mas a luta contra o calor continua.