O NHS, sistema de saúde britânico, anunciou que irá classificar as instituições de saúde conforme sua eficácia no combate ao racismo, violência e assédio sexual contra os funcionários. A nova avaliação será implementada a partir de julho e afetará mais de 1,5 milhão de trabalhadores.
Todas as instituições de saúde agudas, ambulâncias e de saúde mental do NHS na Inglaterra estarão sujeitas a essa nova classificação, que será divulgada em tabelas de desempenho com base em seis medidas principais de bem-estar. Apesar de os serviços de saúde primários, como consultórios médicos, estarem excluídos por enquanto, o governo espera expandir essa avaliação para essa área em “anos futuros”.
Novos padrões de desempenho para instituições de saúde
Os novos critérios de avaliação irão classificar hospitais e serviços de ambulância em relação ao sucesso no enfrentamento do racismo, prevenção de violência, promoção da segurança sexual, incentivo ao trabalho flexível, gestão de equipe e suporte à saúde e bem-estar. Cada instituição receberá uma pontuação de um a quatro para cada medida, que contribuirá para a avaliação geral das trusts.
Esta é a primeira vez que o progresso das instituições em relação ao bem-estar dos funcionários, avaliado por meio da pesquisa de funcionários do NHS, influenciará diretamente a classificação de desempenho, ao lado de métricas de listas de espera e atendimentos de emergência.
Reações e expectativas sobre a nova iniciativa
A ministra de saúde secundária, Karin Smyth, destacou a importância de tratar os funcionários do NHS com dignidade e respeito. Ela afirmou que os níveis de racismo, violência e assédio sexual reportados são inaceitáveis e que havia uma falta de responsabilidade formal dos empregadores para abordar essas questões. “Esses novos padrões – um compromisso do plano de saúde de 10 anos – mudam isso”, declarou Smyth, enfatizando que a forma como as instituições tratam seus funcionários será medida e divulgada.
Segundo a pesquisa mais recente do NHS, centenas de milhares de funcionários relataram ter sido atacados, assediados ou vítimas de racismo, e quase um em cada dez trabalhadores do NHS, um terço dos funcionários de ambulâncias e mais de um em cada dez enfermeiros e parteiras disseram ter enfrentado comportamentos sexuais indesejados no último ano.
Uma investigação recente do Guardian revelou um aumento acentuado nos níveis de violência e assédio sexual nos últimos três anos. Especialistas apoiaram as novas medidas de desempenho, mas questionaram a rapidez com que os funcionários perceberão mudanças efetivas.
Suzie Bailey, diretora do King’s Fund, afirmou que a verdadeira avaliação será se os novos padrões impactarão a vida cotidiana no trabalho. Nicola Ranger, do Royal College of Nursing, ressaltou que políticas de tolerância zero não têm melhorado a experiência diária dos enfermeiros e que mecanismos de aplicação eficazes são necessários para promover mudanças reais. Tim Mitchell, do Royal College of Surgeons of England, defendeu a criação de um sistema nacional e anônimo para que os funcionários do NHS possam relatar incidentes sem medo de retaliação.
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