A British Medical Association (BMA) anunciou que pode demitir até um terço de sua força de trabalho como parte de uma reestruturação necessária para enfrentar uma grave crise financeira. A medida coloca 200 dos 600 funcionários da BMA em risco de demissão, gerando descontentamento e preocupação entre os colaboradores.

O anúncio ocorre poucos dias após os médicos residentes da Inglaterra, que são membros da BMA, votarem a favor de um acordo salarial que elevará os salários dos mais bem pagos para um valor básico de £77.348. Esse aumento foi conquistado após 15 rodadas de greves que impactaram significativamente os serviços do NHS e geraram custos bilionários.

Crise financeira e reestruturação

A BMA enfrenta perdas financeiras significativas, chegando a milhões de libras por ano, apesar de ter alcançado um recorde de 200.000 membros, resultado de suas campanhas por melhores salários. A organização precisa de subsídios do British Medical Journal, de sua propriedade, totalizando £86,8 milhões desde 2008, o que representa uma média de £5,1 milhões por ano, para se manter operando.

Com o objetivo de reduzir o déficit recorrente, a BMA decidiu cortar até um terço de seu pessoal na Inglaterra. A maioria dos funcionários pertence ao sindicato GMB, que alega que a BMA violou suas próprias regras de recursos humanos em relação às demissões e tentou silenciar os colaboradores sobre o assunto. Além disso, a BMA não comunicou aos seus membros sobre a reestruturação e os impactos humanos envolvidos.

Reações internas e oposição

Um membro da equipe expressou que os líderes da BMA parecem tratar a situação de maneira desigual, afirmando que se um hospital tratasse seus funcionários dessa forma, haveria uma reação imediata. A BMA, por sua vez, declarou ao jornal Guardian que apenas 20 funcionários perderiam seus empregos, apesar de ter discutido a possibilidade de até 200 demissões em conversas recentes com representantes do GMB.

A insatisfação entre os funcionários é evidente, levando os membros do GMB a aprovarem, no mês passado, uma moção de desconfiança contra Rachel Podolak, a diretora executiva da BMA responsável pela reestruturação. Com uma participação de 72%, 91% dos votantes expressaram falta de confiança na liderança de Podolak.

A reestruturação também visa redirecionar o foco da BMA para seu papel como sindicato, priorizando campanhas sobre questões salariais e de trabalho, em detrimento de sua função como associação profissional que representa a maioria dos médicos do Reino Unido. Isso resultará na possível demissão de até 20 dos 45 funcionários responsáveis pela produção de relatórios para os conselhos de ciência e ética da BMA.

Embora outras medidas de contenção tenham reduzido o déficit em £4 milhões, a inflação aumentou este valor para £5 milhões. A BMA reconhece que qualquer processo que envolva a saída de colaboradores é difícil, mas mantém diálogo com o GMB desde o ano passado para mitigar o impacto das demissões. As decisões finais sobre as mudanças ainda não foram tomadas, mas a expectativa é que a maioria das demissões seja voluntária.