Em uma declaração polêmica, um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Índia afirmou que o passaporte indiano é um documento de viagem e não deve ser considerado como prova de cidadania. A fala ocorreu durante um evento na última quarta-feira, que marcou a expansão dos serviços de passaporte no país.
O oficial explicou que, embora o passaporte ateste a nacionalidade do portador ao viajar para o exterior, ele não é um documento que comprove a cidadania. "Mesmo que, ao viajar para o exterior, o passaporte ateste sua nacionalidade, não é um documento de sua cidadania", afirmou o funcionário em resposta a uma pergunta do jornal The Hindu.
Desdobramentos e reações nas redes sociais
A declaração provocou um intenso debate nas redes sociais, com muitos usuários expressando confusão sobre quais documentos realmente comprovam a cidadania indiana. Alguns internautas compartilharam fotos de seus passaportes, questionando como um documento que menciona "Indiano" como nacionalidade não serve como prova de cidadania.
No ano passado, a Suprema Corte da Índia já havia declarado que o Aadhaar, sistema de identidade biométrica do país, também não é prova conclusiva de cidadania. A discussão levantou questionamentos sobre qual seria, de fato, o comprovante de cidadania no país.
Críticas à declaração do Ministério
Figuras públicas e políticos da oposição criticaram a posição do Ministério. O renomado roteirista e ativista político Javed Akhtar qualificou a declaração como "absurda", questionando se o governo emite passaportes sem ter certeza da cidadania do solicitante. O líder do Shiv Sena (UBT), Aaditya Thackeray, também se mostrou preocupado, argumentando que a declaração poderia gerar desconfiança em outros países quanto à validade dos passaportes indianos.
Mahua Moitra, deputada do Trinamool Congress, ironizou a situação afirmando que, atualmente, a única prova de cidadania indiana parece ser ser hindu e eleitor do BJP, partido no poder.
A polêmica surge em um momento em que a Comissão Eleitoral da Índia está revisando os registros eleitorais, exigindo documentos para comprovar a elegibilidade dos eleitores, incluindo a cidadania.