O crescimento do interesse internacional por compra de créditos de carbono atrai o mercado de capitais e investimentos de grandes corporações para o setor florestal brasileiro, afirma o CFO (Chief Financial Officer) da Symbiosis Investimentos , , em entrevista ao Poder360 . Fundada em 2008 como uma empresa de reflorestamento e recuperação de terras degradadas com plantio de árvores nativas, a Symbiosis chamou a atenção do mercado em 2024 ao ser procurada pela Apple para uma parceria que deve render à big tech cerca de 1 milhão de créditos de carbono até 2038. A empresa começou com uma fazenda de 345 hectares em Trancoso (Bahia) e investimentos de R$ 100 milhões entre 2010 e 2023.
Após a chegada da Apple, estima patrimônio líquido de R$ 300 milhões, além de ter aprovado em maio de 2025 um financiamento de R$ 77 milhões via Fundo Clima do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Só para a parceria com a big tech, a empresa plantou 1.100 hectares em 2025 e calcula fechar este ano com 1.500 hectares e 2027 com mais 2.500. A ideia é plantar novas áreas mediante a chegada de novos sócios.
A projeção é atingir até 50.000 hectares apenas no Sul da Bahia. O Poder360 visitou na 6ª feira (17.jul.2026) uma das 12 fazendas da Symbiosis, onde a empresa desenvolve também um viveiro com capacidade de 5 milhões de mudas de nativas e prepara uma serraria para beneficiamento de madeira nativa para construção civil e design, que entrará em operação comercial a partir de 2027. A ideia é estabelecer como frente principal a venda de madeira e peças derivadas para mercado nacional, com possibilidade de transição para foco em exportações nos próximos anos.
A matéria-prima: árvores nativas da Mata Atlântica que a empresa cultivou nos últimos 15 anos, em paralelo a projetos de restauração ecológica, conservação e melhoramento genético de espécies. Leo Garfinkel/Poder360 – 17.jul.2026 A Symbiosis opera um viveiro de espécies nativas (esq.) que deve produzir 3,9 milhões de mudas em 2026; a empresa divide sua propriedade em áreas de plantio comercial (à dir.), restauração ecológica, conservação de florestas e pesquisa de melhoramento genético Enquanto expande suas áreas de restauração pelo Sul da Bahia, a empresa já tem negociações avançadas para novas parcerias com sócios e investidores voltadas ao negócio de captura e reflorestamento. Também monitora a participação em editais da sua homônima, Symbiosis Coalition , criada por big techs como Google, Meta, Microsoft para comprar bilhões de créditos de remoção de carbono no mercado internacional ao longo dos próximos anos.
Há 15 anos no setor florestal, Alan Batista defende que agregar a atividade de captura de carbono à produtos da economia real como a madeira ajuda não só no incremento de receita, mas, principalmente, na captação de recursos para projetos florestais. “Boa parte dos investidores institucionais, além de terem um negócio, além de mitigarem o risco de permanência dos projetos, obviamente estão atrás também da descarbonização. A maturidade do mercado de carbono, tanto voluntário, mas principalmente o regulado, traz sim muito mais visibilidade para o futuro: menos risco e consequentemente, mais capital, mais capacidade” , diz o CFO da Symbiosis.
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