Um estudo da Health Foundation, publicado no último domingo, revela que restaurar a saúde da população do Reino Unido aos níveis de 2014 poderia impulsionar o PIB em 2% e gerar um retorno de £72 bilhões para as finanças públicas. Os autores do relatório argumentam que a saúde da nação deve ser considerada um ativo econômico pelos formuladores de políticas.
Segundo o documento, uma população saudável permite que as pessoas vivam melhor e por mais tempo, contribuindo para suas comunidades e fortalecendo a sociedade. A força de trabalho saudável é vista como o motor da economia, influenciando a participação no mercado de trabalho, a eficiência no desempenho das atividades e a permanência na força de trabalho.
Queda na expectativa de vida saudável
O estudo aponta que a expectativa de vida saudável no Reino Unido caiu em dois anos na última década, entre 2022 e 2024, sendo que o país está entre apenas cinco das 21 nações mais ricas do mundo a registrar essa deterioração. Nesse mesmo período, o número de pessoas em idade ativa com condições de saúde de longo prazo aumentou de 11,7 milhões para 15,7 milhões.
Além disso, o relatório destaca desigualdades significativas, com moradores das áreas mais ricas vivendo até 20 anos a mais em boa saúde em comparação com aqueles nas regiões mais pobres. O aumento das doenças impacta os gastos do NHS e os custos com benefícios por invalidez, mas a Health Foundation observa que esses custos também incluem a perda de receita tributária e de produção econômica quando a doença impede as pessoas de trabalharem.
Benefícios econômicos da saúde
A modelagem realizada sugere que a redução das taxas de doenças aos níveis de 2014 poderia aumentar a produção econômica em £57 bilhões, correspondendo a 2% do PIB. David Finch, diretor interino de saúde e desigualdades da Health Foundation, afirmou: “Restaurar a saúde da população em idade ativa do país aos níveis de 2014 poderia desbloquear £57 bilhões em produção econômica e proporcionar um impulso de £72 bilhões para as finanças públicas por meio de receitas tributárias mais robustas e da redução dos gastos com segurança social e NHS.”
Ele acrescentou que a melhoria da saúde é fundamental para garantir um crescimento positivo em todas as regiões, no qual as ambições do novo governo dependerão. O partido Trabalhista tem colocado a recuperação do NHS como uma prioridade em seus planos de governo, prometendo, em particular, reduzir as listas de espera.
No entanto, a Health Foundation argumenta que tratar a saúde como um ativo ajudaria a direcionar o foco dos formuladores de políticas para medidas de prevenção e saúde pública, além do tratamento. O relatório conclui que, embora melhorar a saúde não resolva todos os desafios econômicos e nem toda a má saúde seja evitável, pode desempenhar um papel crucial na melhoria do desempenho econômico, na sustentabilidade fiscal e na elevação dos padrões de vida.
O enfrentamento da má saúde e seu impacto na força de trabalho será uma questão urgente para o próximo primeiro-ministro, Andy Burnham, que receberá dois relatórios no outono. Um deles, de Alan Milburn, abordará o milhão de jovens fora da educação, emprego ou treinamento, muitos por razões de saúde. Burnham também pretende priorizar a crise no atendimento social, podendo antecipar o prazo para que a baronesa Louise Casey examine o problema.
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