No dia 13 de junho, durante um empate histórico de 1 a 1 entre Marrocos e Brasil, todos os jogadores marroquinos em campo eram nascidos fora do país. Essa situação marca um aumento significativo na Copa do Mundo de 2026, que apresenta a maior proporção de atletas representando nações diferentes de seu país de nascimento, com quase um quarto dos jogadores dessa edição.

O torneio já viu Ibrahim Mbaye, nascido na França, marcar um gol contra sua nação natal ao jogar por Senegal, em uma derrota de 3 a 1 para os franceses no dia 16 de junho. Esse episódio remete ao momento constrangedor de 2022, quando o atacante suíço Breel Embolo, nascido em Camarões, fez história ao marcar um gol contra seu país de origem. Embolo expressou seu respeito ao não comemorar o gol, afirmando: "Eu sabia que, se marcasse, não celebraria, por respeito."

Dos 48 times participantes, apenas oito não contam com jogadores nascidos no exterior. Curacao, estreante no torneio, possui apenas um jogador nascido na ilha caribenha. O Qatar, por sua vez, escalou jogadores de dez nacionalidades diferentes.

A mudança nas regras de elegibilidade da FIFA, que começaram na década de 1960, permitiu que jogadores representassem diferentes países ao longo de suas carreiras, refletindo mudanças nos padrões migratórios globais. Professor Gijsbert Oonk, especialista em migração e identidade, explica que "quase 4% da população mundial vive em países onde não nasceu", o que é ainda mais comum entre trabalhadores qualificados e atletas de elite.

As decisões dos jogadores muitas vezes são influenciadas por considerações emocionais e profissionais. Ibrahim Mbaye, por exemplo, que jogou em todas as categorias de base pela França, decidiu representar Senegal por questões de coração, afirmando: "Nunca vou me arrepender de escolher jogar por Senegal." Enquanto isso, Pepe, nascido no Brasil, optou por representar Portugal, onde vive desde 2001.