Justiça autoriza acesso a documentos sobre morte de Tancredo Neves

Há exatos 41 anos, o Brasil celebrou a eleição do primeiro presidente civil após duas décadas de regime militar. No entanto, a morte inesperada de Tancredo Neves, em 21 de abril de 1985, trouxe novas dúvidas e teorias da conspiração.

Ao longo dessas décadas, a família de Tancredo Neves e diversos eleitores têm questionado a suspeita de erro médico durante sua internação. Em 2026, a Justiça Federal determinou a quebra do sigilo médico sobre a morte do ex-presidente, permitindo que a família e autoridades tenham acesso a documentos relevantes.

Processo judicial

A decisão judicial foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que aprovou a solicitação da família para acesso aos documentos do Hospital de Base, em Brasília. As entidades responsáveis, como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), devem fornecer prontuários, relação de médicos e outros documentos.

A advogada Juliana Porcaro explicou que a família já havia solicitado esses documentos, mas a demanda foi negada devido ao sigilo médico. A questão foi levada à Justiça, onde a decisão favorável foi tomada recentemente.

Causas da morte

As hipóteses de erro médico levantadas por autoridades e familiares se baseiam em quatro fatores principais:

  • Cirurgia imediata: especialistas questionam a decisão de realizar uma cirurgia de emergência.
  • Técnicas questionáveis: mais de 30 acompanhantes estiveram na sala de cirurgia, o que é proibido por questões de segurança.
  • Advertência: médicos envolvidos no tratamento receberam advertência do CRM-DF, cujo motivo permanece desconhecido.
  • Falhas na recuperação: supostas falhas no protocolo de recuperação podem ter contribuído para complicações.

Essa decisão abre caminho para que essas questões sejam analisadas de forma mais aprofundada, potencialmente esclarecendo as circunstâncias da morte de Tancredo Neves.