O deputado federal José Medeiros (PL-MT) protocolou nesta terça-feira (28.jul.2026) uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) solicitando a investigação de um vídeo produzido com inteligência artificial que simula o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O material, que apresenta Lula mais jovem e como metalúrgico, traz uma narrativa sobre resistência e superação política.

De acordo com o documento, a simulação reconstrói a imagem e a voz do presidente. Medeiros argumenta que o conteúdo deve ser analisado com os mesmos critérios aplicados a um vídeo que simulou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PC do B, também apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral e enviou uma notícia de fato ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre um possível descumprimento de ordem judicial relacionado ao vídeo de Bolsonaro.

VÍDEO QUESTIONADO

O vídeo em questão foi publicado em 2 de maio de 2026 no perfil Lula Gigante Oficial no Instagram. Criado pelo publicitário Edson Barbosa, o material tem duração de 3 minutos e 5 segundos e exibe o logotipo do PT ao final. Uma música sertaneja com letra sobre superação acompanha imagens de Lula como operário e de sua trajetória política.

Esse conteúdo foi divulgado na mesma semana em que o Congresso Nacional derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria e o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF.

Assista ao vídeo (3min05s):

O QUE MEDEIROS PEDE

Medeiros afirmou: "Se um vídeo que simula Jair Bolsonaro merece investigação porque utiliza inteligência artificial para criar manifestação inexistente, um vídeo que simula Luiz Inácio Lula da Silva deve ser analisado sob os mesmos parâmetros." Ele solicita que a apuração siga critérios jurídicos e técnicos uniformes, independentemente do grupo político envolvido. Entre os pedidos estão:

  • investigação – que o Ministério Público Eleitoral avalie solicitar à Polícia Federal a apuração da autoria, financiamento e distribuição do vídeo;
  • provas digitais – preservação do arquivo original e seus metadados;
  • dados das plataformas – que as empresas informem sobre a publicação e alcance do vídeo;
  • financiamento – apuração de possível uso de recursos públicos ou de terceiros;
  • retirada do vídeo – que a PGR peça o bloqueio do conteúdo;
  • envio ao STF – encaminhamento de cópia ao Supremo se houver relação com medidas judiciais;
  • ação eleitoral – avaliação de apresentar uma ação de investigação judicial eleitoral caso sejam encontrados indícios de abuso de poder.

AUTOR DO VÍDEO

Edson Barbosa, responsável pela produção do vídeo, contestou a classificação de "vídeo de IA", afirmando que a tecnologia foi utilizada "em serviço da inteligência" e que o material se baseou em "concepções e pessoas verdadeiras". Ele descreveu a peça como algo que "mexe com nossos sentimentos" e que busca expor a verdade da força brasileira.