No deserto dos Emirados Árabes Unidos, um grande projeto de energia limpa, que ocupa uma área equivalente a 12.600 campos de futebol, permitirá que a energia solar forneça eletricidade para cerca de meio milhão de residências durante a noite. O estado do Golfo combina uma capacidade de 5,2 GW de energia solar com 19 GWh de armazenamento em baterias, criando o maior esquema de bateria do mundo.

Enquanto isso, a mais de 12.000 km de distância, no Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA, em Colorado, pesquisadores estão desenvolvendo algumas das menores baterias já vistas. Com um tamanho muito menor do que as baterias de íon de lítio usadas em larga escala, essas novas baterias visam alimentar etiquetas eletrônicas que rastreiam juvenis de espécies de salmão e enguia.

Alternativas às baterias de íon de lítio

À medida que as baterias de íon de lítio enfrentam limitações em tamanho e escala, tecnologias alternativas podem desempenhar um papel crucial na captação de energia de baixo carbono, sem a necessidade de minerais críticos como lítio, cobalto e níquel, que geram preocupações ambientais. Diferentemente das baterias de íon de lítio, que têm um número finito de ciclos de carga e descarga, muitas dessas tecnologias podem ser utilizadas indefinidamente e recicladas ao final de sua vida útil de 20 anos.

Os desenvolvedores já estão explorando uma ampla gama de materiais para armazenar eletricidade renovável, utilizando-a para alimentar desde tecnologia vestível até redes de aquecimento e indústrias.

Inovações em armazenamento de energia

Um exemplo é o projeto de armazenamento de ar líquido em Trafford, no Reino Unido. O ex-prefeito de Greater Manchester, Andy Burnham, anunciou o início da construção de um projeto que visa capturar energia renovável em excesso e armazená-la como ar líquido. Este sistema, chamado de “cryobattery”, pode armazenar energia por horas, dias ou até semanas, utilizando o ar resfriado a -196°C.

No deserto de Nevada, a tecnologia de armazenamento de sal fundido está em operação no projeto Crescent Dunes, onde a energia solar aquece um reservatório de nitrato de potássio e sódio a 560°C, permitindo a geração de eletricidade após o pôr do sol. Essa tecnologia já é utilizada em mísseis guiados e armas nucleares.

Na Finlândia, em Pornainen, um sistema de bateria de areia utiliza 2.000 toneladas de pedra-sabão para armazenar energia térmica, permitindo que a cidade reduza significativamente o uso de óleo em sua rede de aquecimento.

Por fim, pesquisadores na Universidade de Tóquio estão explorando como o suor humano pode ser utilizado como fonte de energia para dispositivos vestíveis. Com um patch que gera eletricidade a partir do suor, a tecnologia visa eliminar a necessidade de baterias que precisam ser recarregadas constantemente.