Um grupo de cidadãos australianos entrou com uma ação na ONU acusando o governo da Austrália de violar seus direitos humanos ao permitir a continuidade das exportações de carvão e gás. Eles argumentam que suas vidas estão sendo prejudicadas por desastres climáticos, como incêndios florestais, inundações, ondas de calor, aumento do nível do mar e proliferação de algas tóxicas, e atribuem essa situação ao apoio do governo às empresas de combustíveis fósseis.
Este é o primeiro caso legal apresentado a um órgão internacional desde a decisão de 2025 do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), que afirmou que países podem ser processados por questões relacionadas às mudanças climáticas. Embora a decisão da ONU não tenha caráter vinculativo, a Austrália, um dos maiores exportadores de carvão e gás do mundo, deverá se pronunciar.
Entre os litigantes está o Dr. Barry Traill, ecólogo e bombeiro voluntário, que perdeu amigos durante os devastadores incêndios florestais de Black Saturday, em 2009. “Isso me mudou profundamente”, afirmou, ressaltando que as regras em relação a incêndios e sobrevivência já não são mais as mesmas. Ele também esteve na linha de frente durante os incêndios de Black Summer, em 2019, onde percebeu que as mudanças climáticas são um problema atual, não futuro.
Outro litigante, Brendon Donohue, descreveu sua experiência ao ficar preso em casa por dez dias devido a inundações em Brisbane, ressaltando como as mudanças climáticas afetam sua vida cotidiana. A professora Anne Poelina, mulher indígena da região de Kimberley, também compartilhou sua história sobre o deslocamento causado por inundações catastróficas no rio Fitzroy.
Hannah White, advogada da Environmental Justice Australia, destacou que “o dano climático causado pelo carvão e gás da Austrália não para nas fronteiras” e pediu que a ONU declare ilegal a aprovação e subsídios para exportação desses combustíveis sem um plano para proteger as pessoas dos impactos climáticos.