O exército do Sudão declarou que retomou o controle total da rodovia Al Sadarat, que liga a capital, Cartum, à cidade de El-Obeid, atualmente cercada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF). A conquista, ocorrida no último domingo, é vista como um passo importante para bloquear a tentativa das RSF de dominar El-Obeid, localizada no estado de Kordofan do Norte.

Segundo informações do exército, a recuperação da rodovia permitirá o transporte de tropas, armamentos, combustíveis e suprimentos, além de dificultar o avanço das RSF na região. Cerca de 500 mil pessoas estão presas em El-Obeid, onde a ONU alertou sobre uma possível catástrofe humanitária, com moradores enfrentando intensos ataques aéreos por drones das RSF.

Conflito e controle territorial

Em comunicado, o exército sudanês informou que, após dois dias de intensos combates, conseguiu retomar cidades e vilarejos entre Cartum e El-Obeid, que estavam sob domínio das RSF. As operações resultaram em pesadas perdas para o grupo paramilitar, obrigando-os a recuar. A vitória foi descrita como uma recuperação da rota de exportação de Omdurman Al-Abyd.

Al Migdad Alruhaid, correspondente da Al Jazeera, destacou que a recuperação da rodovia estabelece uma conexão direta entre a capital e Kordofan pela primeira vez em meses, o que é crucial para o abastecimento militar. O acesso facilitado permite que o exército transporte recursos de forma mais rápida e eficiente, diminuindo a dependência de rotas mais longas.

Consequências humanitárias e sociais

A perda do controle da rodovia pelas RSF pode dificultar a tentativa do grupo de capturar El-Obeid, o que lhe daria domínio sobre toda a região ocidental do Sudão. O conflito, que teve início em abril de 2023 devido a desentendimentos sobre a integração da RSF ao exército nacional, já resultou em aproximadamente 40 mil mortes e forçou mais de 14 milhões de pessoas a deixarem suas casas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Recentemente, a ONU Mulheres relatou que mulheres e meninas em El-Obeid enfrentam dilemas extremos em busca de recursos básicos, como água, devido ao risco de ataques aéreos e violência sexual. A organização destacou que a violência sexual tem sido utilizada como uma arma ao longo dos três anos de conflito, com testemunhos que descrevem abusos físicos e sexuais em presença de familiares.