O movimento Houthi, no Iémen, está se esforçando para emular a estratégia do Irã no Estreito de Hormuz, buscando controlar o fluxo de embarcações no Estreito de Bab al-Mandeb, conforme advertiu o ministro das Relações Exteriores do governo iemenita reconhecido internacionalmente, Afrah al-Zouba, durante uma coletiva de imprensa em Riad.
Al-Zouba declarou: “Os Houthis querem copiar o modelo iraniano, e isso irá fechar dois estreitos principais, as portas de entrada para o Golfo e o Mar Vermelho.” A declaração foi feita em um momento em que a comunidade internacional é acusada de não responder adequadamente às atividades do grupo na região.
Importância do Estreito de Bab al-Mandeb
O Estreito de Bab al-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico, sendo vital para a economia global, assim como o Estreito de Hormuz. Aproximadamente 30% do tráfego global de contêineres e de 12 a 15% do comércio global passa por essa via marítima.
A geografia do Iémen confere a quem controla a região oeste do país uma influência significativa sobre o tráfego através do Bab al-Mandeb. Recentemente, os dados indicam que o tráfego marítimo no Mar Vermelho já está em declínio, com apenas 11 embarcações de carga transitando na área no último domingo.
Tensões em ascensão
As observações de al-Zouba surgem em um contexto de crescente tensão entre os Houthis e o governo do Iémen, apoiado pela Arábia Saudita. Em julho, os Houthis anunciaram um cerco marítimo ao transporte no Mar Vermelho em direção à Arábia Saudita, lançando mísseis e drones contra o reino.
Em resposta, Riad iniciou ataques aéreos na cidade portuária de Hodeidah, controlada pelos Houthis. Esse aumento de hostilidades representa a escalada mais significativa desde a trégua de 2022 e ocorre em meio a um ressurgimento de ataques dos EUA ao Irã.
Al-Zouba afirmou que o governo do Iémen está preparado para um aumento das hostilidades, com trocas de fogo sendo registradas ao longo da linha de frente entre áreas controladas pelos Houthis e aquelas sob controle governamental. No entanto, até o momento, nenhuma ofensiva foi lançada.
Conflitos recentes resultaram na morte de quase 20 combatentes de ambos os lados em confrontos próximos a Hodeidah. Desde o início da guerra em 2014, quando os Houthis tomaram a capital Sanaa, cerca de 377 mil civis perderam a vida, muitos devido a consequências da guerra, como fome e doenças.
A Arábia Saudita liderou uma coalizão árabe em uma campanha para desalojar os Houthis de 2015 até a trégua de 2022. Desde então, os Houthis continuam a exercer controle sobre a capital e outras partes do Iémen, enquanto a tensão entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que são acusados de apoiar um grupo separatista no sul do Iémen, tem impactado a dinâmica no terreno.
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