O grupo Houthi do Iémen anunciou ter realizado um ataque com mísseis balísticos contra um petroleiro saudita, menos de uma semana após a imposição de um bloqueio naval a embarcações da Arábia Saudita no Mar Vermelho. A informação foi divulgada pelo porta-voz militar da facção, Yahya Saree, em uma publicação na plataforma X.
Saree afirmou que a operação visava o petroleiro NCC GHAZAL, que, segundo os Houthis, violou a proibição de navegação marítima imposta pelo grupo. Ele declarou que múltiplos mísseis foram utilizados e que a embarcação foi forçada a recuar.
A UK Maritime Trade Operations (UKMTO), uma entidade de monitoramento de segurança marítima, confirmou que um petroleiro reportou uma explosão durante a travessia do Mar Vermelho, mas garantiu que a tripulação estava a salvo e não houve danos ambientais.
Contexto do Conflito no Iémen
Os Houthis tomaram a capital Sanaa em 2014 e, desde então, têm se envolvido em um conflito armado com o governo do Iémen, que conta com o apoio da Arábia Saudita. O conflito já dura mais de uma década e tem raízes em uma série de tensões políticas e sociais no país.
No dia 20 de julho, os Houthis anunciaram a implementação de um bloqueio marítimo, acusando os líderes sauditas de manterem um “cerco injusto e opressivo” ao Iémen por quase 12 anos, alegando que isso resultou em um “saque de nossos recursos e um bloqueio abrangente”. O grupo reafirmou o direito de seu povo de responder ao cerco com um cerco.
Novos Ataques e Implicações
Além do ataque ao NCC GHAZAL, os Houthis também reivindicaram um ataque a dois petroleiros sauditas, Encelia e Layla, na semana anterior. Yahya Saree confirmou que as embarcações foram alvos de ataques por violarem a decisão de bloqueio emitida pelas forças armadas do grupo.
A Agência de Imprensa Saudita informou que o Encelia foi atingido, mas todos os membros da tripulação estavam seguros, de acordo com uma fonte oficial da Autoridade Geral de Transportes da Arábia Saudita.
O estreito de Bab al-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, é uma das rotas de navegação mais importantes do mundo, especialmente para a exportação de petróleo. Em 2024, aproximadamente 4,1 bilhões de barris de petróleo bruto e produtos refinados passaram pelo estreito, representando cerca de 5% do total global.
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