No Equador, a cidade de Durán se tornou um campo de batalha na guerra contra o tráfico de drogas, onde o Capitão da Polícia Jean Carlos Bustamante e sua equipe enfrentam não apenas criminosos armados, mas também a corrupção interna nas forças de segurança.
Com 34 anos, Bustamante é o mais velho de sua equipe, composta por policiais que ele selecionou pessoalmente. Em uma área dominada pelo grupo criminoso Los Aguilas, o capitão revela que a população local vive sob constante medo. "Se as pessoas falam, eles são mortos", afirma.
Desmantelamento de armamentos e o poder dos gangues
Durante uma operação em uma casa abandonada, a equipe de Bustamante encontra duas armas e munições, um pequeno triunfo em meio a um cenário de violência crescente. Apesar disso, o capitão reconhece que os gangues possuem mais recursos e armamentos do que o estado. "Os criminosos têm muito mais dinheiro e muitas armas", diz ele.
A violência no país é alarmante. Segundo o Ministério do Interior do Equador, o ano passado registrou mais de 9.200 homicídios, tornando-se um dos mais altos do mundo. O presidente Daniel Noboa, que implementou uma dura repressão, enfrenta críticas, já que a fragmentação dos grupos criminosos resultou em um aumento no número de gangues.
Desafios enfrentados pela polícia e corrupção no sistema judiciário
Em uma nova operação, Bustamante e sua equipe monitoram pequenos traficantes em um parque. Após uma abordagem, três suspeitos são detidos, mas a frustração da equipe é palpável, pois muitos dos detidos são frequentemente soltos devido à corrupção no sistema judiciário. O Coronel Santiago Gavilanes, comandante adjunto da polícia de Durán, destaca que os criminosos têm dinheiro para "comprar leis, juízes e políticos".
Um policial, que preferiu não se identificar, relatou ter recebido ofertas de suborno que poderiam garantir sua aposentadoria. "Você nunca sabe quem está te observando", afirmou, refletindo o clima de desconfiança que permeia a corporação.
Apesar dos desafios, Bustamante acredita na possibilidade de vitória. Ele observa que a taxa de homicídios em Durán caiu pela metade nos primeiros seis meses do ano, e as ruas já não estão desertas após o anoitecer, o que representa um avanço em relação à situação anterior.
No entanto, a realidade é complexa. Em uma conversa com um líder de gangue da região, identificado apenas como Jonathan, ele afirma ter policiais em sua folha de pagamento e que a corrupção facilita suas atividades. Jonathan, que admite ser traficante e assassino, justifica suas ações como uma resposta à ameaça de grupos rivais.
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